Você sabe com quem está falando? - considerações sobre sujeito do direito da psicanálise
O artigo aborda as intersecções entre o sujeito do Direito e o sujeito da Psicanálise, destacando como a Psicanálise desafia e enriquece a compreensão do Direito. A autora, Maíra Marchi Gomes, analisa conceitos como livre-arbítrio e responsabilidade, sugerindo que a desconsideração do inconsciente pelo Direito prejudica a busca por justiça. A proposta é suscitar reflexões sobre a subjetividade e a complexidade das relações intersubjetivas, propondo um olhar mais humanizado na prática jurídica.

O artigo aborda a relação entre o sujeito do Direito e o sujeito da Psicanálise, enfatizando as rupturas trazidas pela Psicanálise ao diálogo com o Direito e destacando a desconsideração do inconsciente no Direito, que prejudica a busca pela justiça.
Discute aspectos como a concepção de livre-arbítrio e responsabilidade, entrelaçando noções de consciência e inconsciente, e crítica a visão do sujeito do Direito como racional e consciente, que não contempla a complexidade da subjetividade. O texto menciona a função simbólica do Direito Penal, alertando para a perda de sua dimensão ética quando se reduz a um sistema coercitivo. A Psicanálise é apresentada como uma via para enriquecer a análise do sujeito, desafiando a noção de culpabilidade e propondo uma responsabilidade que vai além da mera conformidade às leis, reconhecendo a alteridade e a complexidade do desejo humano.
Além disso, o artigo sugere que a interação entre Direito e Psicanálise pode promover uma escuta mais profunda dos sujeitos, contribuindo para a construção de novas formas de subjetivação ao invés de apenas punição.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Você sabe com quem está falando? - considerações sobre sujeito do direito da psicanálise" por Maíra Marchi Gomes.
- Intersecção entre Direito e Psicanálise: Exploração das considerações acerca do sujeito do Direito e do sujeito da Psicanálise, destacando as rupturas e os vazios que surgem na aproximação entre esses dois saberes.
- Crítica psicanalítica ao Direito: Análise da desconsideração pelo Direito do inconsciente e sua implicação na busca pela justiça.
- Função simbólica do Direito Penal: Discussão sobre a perda da função simbólica do Direito quando este é reduzido a um aparato coercitivo.
- Concepções de livre-arbítrio e responsabilidade: Abordagem dessas concepções à luz das noções de consciência, inconsciente, e suas implicações no diálogo entre Direito e Psicanálise.
- Princípios do Direito Positivo e o sujeito consciente: Reflexão sobre a construção do sujeito do Direito dentro do paradigma da racionalidade e dogmática jurídica.
- Impacto do inconsciente no sujeito: Examina como a Psicanálise desestabiliza as concepções tradicionais do sujeito consciente no âmbito jurídico.
- Relação entre sujeito e alteridade: Discussão sobre a importância do Outro na constituição do sujeito e os desafios apresentados por essa relação.
- Responsabilidade e culpa na perspectiva psicanalítica: Debate sobre a natureza da responsabilidade do sujeito em relação à mudança de fórmulas de culpabilização tradicionais.
- Escuta e subjetivação: A proposta da Psicanálise como um caminho para promover a responsabilização subjetiva e a importância de se escutar as histórias individuais no contexto jurídico.
- Limitações do Direito moderno: Reflexão crítica sobre como o Direito lida com a singularidade do sujeito e as implicações disso para a justiça.
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