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Os memes de lula e o gozo com a condenação alheia – por fernanda mambrini rudolfo

O artigo aborda a reação pública à condenação do ex-Presidente Lula, explorando a explosão de memes e manifestações de celebração que surgiram a partir dessa decisão judicial. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, critica a desumanização e o regozijo que muitos demonstraram diante do sofrimento alheio, discutindo a problemática do punitivismo e a desproporcionalidade do sistema penal brasileiro. Também questiona a ideia de que a condenação de figuras públicas possa ser considerada uma vitória,...

Fernanda Mambrini Rudolfo
16 jul. 2017 8 acessos
Os memes de lula e o gozo com a condenação alheia – por fernanda mambrini rudolfo

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O artigo aborda a reação pública à condenação do ex-Presidente Lula, explorando a explosão de memes e manifestações de celebração que surgiram a partir dessa decisão judicial. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, critica a desumanização e o regozijo que muitos demonstraram diante do sofrimento alheio, discutindo a problemática do punitivismo e a desproporcionalidade do sistema penal brasileiro. Também questiona a ideia de que a condenação de figuras públicas possa ser considerada uma vitória, enfatizando que ainda é a pobreza que majoritariamente sofre com as penas.

Publicado no Empório do Direito

A semana que passou foi marcada não só pela sentença condenatória do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também pelas inúmeras manifestações de regozijo com tal decisão. Os memes se multiplicaram e espalharam de forma tão rápida que pareciam Gremlins em contato com a água (momento entregando a idade...). Até mesmo comparações entre os anos de condenação e a quantidade de dedos do ex-Presidente foram feitas, em demonstração de total ausência de alteridade, de humanidade.

Que tipo de pessoa pode saborear a condenação de outrem, comemorar, soltar fogos de artifício, fazer textão no facebook? Eu sou de esquerda e nunca o neguei, mas jamais festejarei a condenação de quem quer que seja, porque não sou punitivista. Não sei qual é a emoção que se sente ao saber que outra pessoa está sofrendo e que lhe será impingida uma pena pelo Estado, mormente quando se sabe das condições do sistema prisional brasileiro. A sanha revanchista do nosso povo, justificada em parte por uma mídia parcial e sensacionalista, chegou ao ponto de gozar com a desgraça alheia – bastante perceptível quando da morte de Marisa Letícia. Uma condenação criminal talvez propicie o ápice desse sentimento e, concomitantemente, uma desumanização, nesta que Bauman chamava modernidade líquida.

Algumas pessoas argumentaram comigo que se trataria de uma condenação “boa”, pois mostraria que não é só pobre que é condenado/preso. No entanto, essa é mais uma falácia. Em primeiro lugar, porque um ou outro caso de pessoa financeiramente favorecida condenada não desconstitui o fato de ser a pobreza a clientela do direito penal. Ainda é a imensa e absurda maioria. Em segundo lugar, porque Lula é o “pobre” dentre os políticos. É aquele que veio de família humilde, que perdeu o dedo (aquele mesmo dedo, que é objeto de deboche) trabalhando, que não teve estudo nem foi apadrinhado pelos amigos da família. A condenação de Lula, enquanto helicópteros e aviões com cocaína passam batido, continua sendo a condenação da pobreza. Em terceiro lugar, porque, depois de tantos resultados negativos, não é possível que ainda se acredite no Direito Penal para se falar em qualquer condenação “boa”. Posso continuar enumerando, mas acho que são suficientes estas afirmações para refutar qualquer defesa da condenação de Lula.

O juiz Sérgio Moro encerrou a sentença com um ditado: “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”. É ao menos curioso que essa colocação tenha partido de quem vazou propositalmente conversas gravadas em interceptações telefônicas (o que, por lei, é considerado crime – a lei está acima de quem mesmo? ou quem está acima da lei?) e, o que é ainda mais grave, envolvendo a então Presidenta da República. É... Não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você, a não ser que você seja amigo das pessoas certas.

Imagem Ilustrativa do Post: SEMINARIO INTERNACIONAL “INTEGRACIÓN Y CONVERGENCIA EN AMÉRICA DEL SUR” // Foto de: Cancillería del Ecuador // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/dgcomsoc/15941275795

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Fernanda Mambrini RudolfoDefensora Pública do Estado de Santa Catarina desde 2013, com atuação especialmente junto ao Tribunal do Júri. Bacharela, Mestra e Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora Científica do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento da Defensoria Pública.

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