Guia de uso

Artigos Empório do Direito – Extraordinárixs

Início/Conteúdos/Artigos/Empório do Direito
ARTIGO

Extraordinárixs

O artigo aborda a reflexão sobre a empatia que as pessoas sentem por personagens como Auggie Pullman, do filme "Extraordinário", em contraste com a indiferença diante de histórias reais de crianças em situações adversas, especialmente as que pertencem a grupos marginalizados. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, destaca a necessidade de ampliar nossa percepção e compaixão, reconhecendo os "extraordinárixs" que vivem realidades difíceis, mas que não são contempladas nas narrativas da cultura p...

Fernanda Mambrini Rudolfo
07 jan. 2018 1 acessos
Extraordinárixs

Este conteúdo é exclusivo para assinantes
Faça login se você já é assinante, ou conheça os planos disponíveis.
Fazer loginVer planos

O artigo aborda a reflexão sobre a empatia que as pessoas sentem por personagens como Auggie Pullman, do filme "Extraordinário", em contraste com a indiferença diante de histórias reais de crianças em situações adversas, especialmente as que pertencem a grupos marginalizados. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, destaca a necessidade de ampliar nossa percepção e compaixão, reconhecendo os "extraordinárixs" que vivem realidades difíceis, mas que não são contempladas nas narrativas da cultura pop. Assim, o texto propõe uma transformação na maneira como enxergamos e tratamos o sofrimento do outro.

Publicado no Empório do Direito

Muitas pessoas foram assistir ao filme “Extraordinário”. Aquelas que não foram aos cinemas ao menos viram alguma propaganda ou mesmo o trailer do longa-metragem. Outras já haviam lido ou leem o livro que deu origem ao filme. Fato é que não há quem não tenha ouvido falar da história de Auggie Pullman, um garotinho, de fato, extraordinário.

Nas salas de cinema, o choro se ouve quase incessantemente e as caixas de lenço devem vender com maior facilidade até mesmo do que as pipocas. Mas por que é tão fácil que as pessoas sintam empatia com esse caso, que se sensibilizem com essa história, enquanto tantas outras semelhantes seguem relegadas a um segundo plano? Não se trata apenas da exposição obtida com um filme, mas do fato de ser apresentada uma linda família, branca e de classe média, seguindo o “modelo” norte-americano.

Esquecemo-nos do Henrique, que, com a mesma idade de Auggie, padece de hanseníase, morando em uma comunidade carente, em que nem sequer há água encanada. Da Marcela, que nasceu com a mesma síndrome que Auggie e precisa caminhar quase dez quilômetros todo dia para ir à escola. Do Otávio, um doce bebê que nasceu com o lábio e o palato fendidos, mas o tratamento só é feito em uma cidade que fica a mais de 300 quilômetros da casa de sua família, que não tem condições de custear as viagens. Não é apenas porque esses casos não são tema central de um filme, mas porque não ocorrem com pessoas que despertem interesse. O que acontece com os pobres, pretos, homossexuais etc. não atrai a atenção como os males que afligem uma família Doriana. E não precisamos falar só de doenças, mas dos mais diversos flagelos impostos a essas pessoas não vistas, não mencionadas, muitas vezes indesejadas.

Não estou aqui a pretender diminuir o sofrimento de alguém que se encontre em situação semelhante à do filme, muito menos a julgar quem se sensibilizou ao assistir à história de Auggie. Eu mesma adorei o livro, que havia lido há algum tempo, e o filme, a que assisti há algumas semanas. Pretendo apenas que abramos os olhos para outros casos extraordinários. Há tantxs extraordinárixs no Brasil e no mundo, mas nos negamos a enxergar seus rostos, a conhecer suas histórias, a sentir o mesmo que sentimos quando vemos o filme. É mais confortável nem mesmo tomar conhecimento das dores e das dificuldades alheias, mormente quando se trata de alguém que não se encaixa no perfil hollywoodiano.

É essencial que essa realidade se transforme, dando espaço ao reconhecimento do “outro” e também das suas mazelas. É necessário que essas mazelas nos revirem o estômago e nos façam repensar nossas atitudes do mesmo modo que fez a história de Auggie. Nem todxs são protagonistas de um filme norte-americano, mas todxs são, de uma maneira ou de outra, extraordinárixs.

Imagem Ilustrativa do Post: Auggie // Foto de: cyclotourist // Sem alterações

Disponível em: https://flic.kr/p/dD3GAB

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

Avatar de Fernanda Mambrini Rudolfo
Fernanda Mambrini RudolfoDefensora Pública do Estado de Santa Catarina desde 2013, com atuação especialmente junto ao Tribunal do Júri. Bacharela, Mestra e Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora Científica do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento da Defensoria Pública.

Explore

Indicações relacionadas a este conteúdo

Precisa de ajuda?
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp para dúvidas sobre este conteúdo.

Não perca este conteúdo

Assine a Criminal Player e tenha acesso imediato a esta aula, mais de 4.900 conteúdos, ferramentas de IA e a maior comunidade de advocacia criminal do Brasil.

Ver planos