Artigos Conjur – STJ e o dever de revelação: uma proposta à comunidade arbitral

ARTIGO

STJ e o dever de revelação: uma proposta à comunidade arbitral

O artigo aborda a importância do dever de revelação dos árbitros no contexto da arbitragem, destacando um recente acórdão do STJ sobre essa questão. Os autores argumentam que a imparcialidade do árbitro é essencial para a validade do processo arbitral e que a omissão de informações relevantes pode comprometer a confiança das partes. A proposta inclui a criação de registros de árbitros com sentenças anuladas para promover maior transparência e responsabilidade na comunidade arbitral.

Georges Abboud
25 ago. 2026
STJ e o dever de revelação: uma proposta à comunidade arbitral
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a discussão sobre o dever de revelação na arbitragem, referindo-se especificamente a decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reafirmam a importância da imparcialidade do árbitro como pressuposto da validade da arbitragem.

Os temas incluem a análise do acórdão do REsp nº 2.215.990/SP, que enfatiza que o dever de revelação é objetivo e independe da conveniência do árbitro, assim como a crítica ao silêncio da doutrina em relação a essa questão. Discute-se a natureza da arbitragem como um subsistema do direito, que não pode ignorar normas externas ou a jurisprudência estatal. O artigo também examina um caso concreto de quebra do dever de revelação em uma arbitragem de contrato de energia elétrica, abordando a revelação insuficiente de informações pelo árbitro e as consequências dessa omissão.

O texto discute a decisão do STJ, que confirma que a revelação tardia não é suficiente para cumprir esse dever, e reitera que cabe ao árbitro garantir a transparência e a confiança das partes. Por fim, propõe-se a criação de registros públicos de sentenças anuladas por quebra de dever de revelação, a fim de aumentar a responsabilidade e a transparência na comunidade arbitral, enfatizando que a legitimidade do árbitro não se mede apenas pelo seu brilho exterior, mas pela consistência de suas ações em conformidade com as normas.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "STJ e o dever de revelação: uma proposta à comunidade arbitral" por Georges Abboud.

  • Dever de revelação na arbitragem: Análise do acórdão do STJ sobre o dever de revelação do árbitro, destacando sua importância para a validade da arbitragem.
  • Silêncio da doutrina: Reflexão sobre a falta de resposta da comunidade jurídica após decisões do STJ que desafiam o dogma da autonomia da arbitragem.
  • A importância das decisões do STJ: Como os precedentes do STJ podem levar a uma maior legitimidade da arbitragem, desmantelando a visão de um sistema autocontido.
  • Casos específicos de quebra de dever de revelação: Descrição do caso de rescisão de contrato de compra e venda de energia elétrica, com foco nas omissões do árbitro na revelação de informações relevantes.
  • Revelação tardia: Debate sobre a insuficiência da revelação tardia e a importância de se revelar informações relevantes logo no início do processo arbitral.
  • Juízo de relevância: Omissão do árbitro: A decisão do STJ de que o árbitro não deve decidir sobre a pertinência das informações a serem reveladas, uma responsabilidade que cabe às partes.
  • Diferenciação de informação acessível: Análise das condições de se considerar uma informação como acessível, e não simplesmente pública.
  • Proposta de registro público: Sugestão de que câmaras de arbitragem mantenham um registro das sentenças anuladas, indicando o árbitro responsável, para maior transparência na arbitragem.
  • Relação da arbitragem com o Judiciário: Reflexão sobre a importância do controle judicativo para a preservação da legitimidade e autonomia da arbitragem.
  • Ruínas da arbitragem: Comparação entre a falta de eficácia na arbitragem e a necessidade de instituições que garantam a verdadeira autonomia e ética na prática da arbitragem.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Georges AbboudMestre, doutor e livre-docente em Direito pela PUC-SP, advogado, professor concursado em processo civil da PUC-SP e de direito processual e constitucional do Mestrado e Doutorado do IDP - Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa no Distrito Federal. Possui mais de uma década de experiência na advocacia e consultoria em litígios estratégicos e de alta complexidade em direito público e privado. É consultor jurídico, parecerista e \"expert witness\" em direito material e processual em litígios internacionais. Também é autor de mais de uma dezena de livros sobre direito, dentre as quais se destacam “Direito Constitucional Pós-Moderno”, “Ativismo Judicial”, “Pareceres” (atualmente com 3 volumes abrangendo direito privado e público) e “Processo Constitucional Brasileiro”, esse já em sua quinta edição. Membro da comissão de juristas da Câmara dos Deputados para sistematização da legislação sobre o processo constitucional brasileiro. Membro da comissão de juristas do Senado Federal para desenvolvimento do marco normativo da Inteligência Artificial. Atualmente, figura como membro do Conselho Jurídico da FIESP.

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