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Artigos Conjur – Sistema acusatório de fachada: legitimação de práticas inquisitórias pelos tribunais superiores (parte 2)

ARTIGO

Sistema acusatório de fachada: legitimação de práticas inquisitórias pelos tribunais superiores (parte 2)

O artigo aborda de maneira crítica a legitimidade da atuação ex officio do juiz em investigações, especialmente ao utilizar redes sociais do acusado para fundamentar decisões de prisão preventiva. Discutem-se os riscos de subversão do sistema acusatório com práticas que reintroduzem métodos inquisitórios, comprometendo a imparcialidade e os direitos de defesa, evidenciando a necessidade de reformas estruturais no Código de Processo Penal. A análise ressalta a tensão entre a teoria e a prática...

Gina Muniz
26 set. 2025
Sistema acusatório de fachada: legitimação de práticas inquisitórias pelos tribunais superiores (parte 2)

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Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a crítica à decisão da 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça que legitimou a atuação do juiz em consultar redes sociais do acusado para fundamentar a prisão preventiva, considerando essa ação uma medida de eficiência processual.

Os autores examinam a compatibilidade dessa prática com o sistema acusatório e destacam que tal abordagem pode comprometer a imparcialidade judicial, pois o juiz, ao assumir um papel ativo na colheita de provas, subverte a função de sua atuação, que deveria ser restrita ao reconhecimento baseado nas provas apresentadas pelas partes. Além disso, o texto discute como essa prática prejudica a defesa e a presunção de inocência, promove uma assimetria entre as partes e altera a dinâmica da produção de provas, gerando um efeito de autovalidação da decisão cautelar.

Os autores também enfatizam que as práticas do STJ e do Supremo Tribunal Federal revelam uma persistente influência de uma matriz inquisitória que compromete a real implementação de um sistema penal acusatório, destacando a urgência de uma reforma estrutural do Código de Processo Penal que elimine essas práticas duvidosas e assegure os direitos fundamentais e a imparcialidade do processo penal, defendendo que a efetividade do sistema acusatório depende de um compromisso institucional e cultural robusto.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Sistema acusatório de fachada: legitimação de práticas inquisitórias pelos tribunais superiores (parte 2)" por Jacinto Nelson de Miranda Coutinho e Gina Muniz.

  • Atuação do juiz e acesso a redes sociais: Análise da decisão da 5ª Turma do STJ sobre a legitimidade da consulta pública de redes sociais por parte do juiz ao avaliar pedidos de prisão preventiva.
  • Ação ex officio e eficiência processual: Discussão sobre a validade da diligência realizada pelo juiz, considerada uma medida de eficiência processual frente ao acesso a informações disponíveis publicamente.
  • Conflito com o sistema acusatório: Reflexão sobre a incompatibilidade da atuação proativa do juiz com os princípios do processo penal acusatório, que prioriza o contraditório e a imparcialidade.
  • Consequências para a defesa: Exame dos danos estruturais que a prática investigativa do juiz pode causar à defesa do acusado, afetando a distribuição de ônus e a presunção de inocência.
  • Legitimidade da segregação cautelar: Avaliação da necessidade de justificação rigorosa para a segregação cautelar, evitando iniciativas probatórias que possam favorecer a acusação.
  • Resquícios do modelo inquisitório: Reflexão sobre a continuidade de elementos inquisitoriais na justiça penal brasileira e sua influência sobre a definição de um sistema verdadeiramente acusatório.
  • Tensão estrutural no processo penal: Análise das decisões do STF e STJ que mostram a dissonância entre as garantias formais de um sistema acusatório e a prática de ações inquisitórias.
  • Urgência de reforma no Código de Processo Penal: Apelo por uma transformação estrutural no CPP que remova os vestígios de uma matriz autoritária, promovendo um modelo de justiça penal fundamentado em princípios acusatórios.
  • Compromisso institucional e cultural: Enfatização da necessidade de uma mudança cultural que assegure a efetividade do sistema acusatório, respeitando os limites constitucionais do ius puniendi.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

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Gina MunizDefensora Pública do estado de Pernambuco. Mestre em ciências jurídico-criminais pela Universidade de Coimbra.

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