Artigos Conjur – Prisão preventiva está para além de gostarmos ou não de Eduardo Cunha

ARTIGO

Prisão preventiva está para além de gostarmos ou não de Eduardo Cunha

O artigo aborda a complexidade da prisão preventiva no contexto do processo penal, destacando que esta não deve ser determinada com base em preferências pessoais, mas conforme rigorosos critérios legais e probatórios. O autor critica a decisão que decretou a prisão de Eduardo Cunha, argumentando que carece de fundamentação adequada e ignora alternativas cautelares. Enfatiza a importância da atualidade do perigo e da imparcialidade do juiz, reafirmando que a aplicação das normas processuais de...

Aury Lopes Jr
28 out. 2016 12 acessos
Prisão preventiva está para além de gostarmos ou não de Eduardo Cunha
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a complexidade e os limites da prisão preventiva dentro do processo penal, enfatizando que tal medida não deve ser baseada em preconceitos ou juízos subjetivos, mas sim em fundamentos legais sólidos que garantam o respeito à principiologia cautelar.

O autor destaca a necessidade de provas concretas que demonstrem o periculum libertatis, ou seja, o risco real da liberdade do imputado, além de criticar a aplicação inadequada de decisões que extrapolam o âmbito da cognição sumária, resultando em pré-julgamentos que comprometem a imparcialidade do juiz. A discussão sobre a figura do “juiz de garantias” é latente, apontando os riscos de um juiz atuar nas fases de investigação e julgamento do mesmo caso. Igualmente, o texto critica a utilização de justificativas vagas para a decretação da prisão, como o "risco para a ordem pública", ressaltando sua inconstitucionalidade por gerar dificuldades de defesa.

Por fim, o artigo defende a observância das medidas cautelares alternativas, afirmando que a prisão preventiva deve ser o último recurso, aplicado apenas quando não contiver substitutivas adequadas, e conclui que as garantias do devido processo penal devem ser respeitadas de forma universal, independente de quem seja o investigado.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais temas abordados no artigo "Prisões preventivas e sua legitimidade" de Aury Lopes Jr.

  • Natureza do Processo Penal: Discussão sobre o processo penal como um rito de exercício de poder e a necessidade de sua legitimidade através da observância das regras da prisão preventiva.
  • Decisão e Fundamentação: Análise crítica de uma decisão cautelar que inicia a execução de penas através da indicação de autoria e materialidade, destacando sua inadequação pela falta de um juízo de cognição pleno.
  • Juiz de Garantias: Proposta da adoção da figura do juiz de garantias para evitar a contaminação do juiz que decide sobre a prisão e, posteriormente, julga o caso.
  • Periculum Libertatis: Necessidade de evidências concretas e atualizadas que justifiquem a prisão preventiva, não bastando meras presunções sobre o risco de fuga.
  • Atualidade do Perigo: A decisão deve considerar a atualidade do perigo, uma vez que a prisão preventiva deve ser baseada em riscos presentes, não passados.
  • Risco para a Ordem Pública: Crítica à generalidade e imprecisão do conceito de risco para a ordem pública, que pode ser invocado de maneira arbitrária pelo juiz.
  • Excepcionalidade da Prisão Preventiva: A prisão cautelar não é a primeira opção e deve ser a última razão; deveriam ser consideradas medidas alternativas antes de sua decretação.
  • Diligência na Fundamentação: A decisão deve demonstrar claramente a probabilidade e a atualidade do perigo, embasando a decretação da prisão com provas robustas.
  • Processo Penal do Espetáculo: A crítica à utilização da prisão preventiva como uma ferramenta de pressão, especialmente em processos considerados de exceção.
  • Dignidade do Devido Processo Penal: A defesa das regras do devido processo penal para todos, independentemente de quem seja o investigado, ressaltando que a ilegalidade na prisão cautelar é inaceitável em qualquer circunstância.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Aury Lopes JrDoutor em Direito Processual Penal pela Universidad Complutense de Madrid. É Professor Titular do Programa de Pós-Graduação – Especialização, Mestrado e Doutorado – em Ciências Criminais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Advogado criminalista. Membro da Abracrim

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