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Artigos Conjur – O que você estudará durante as férias da graduação em Direito?

ARTIGO

O que você estudará durante as férias da graduação em Direito?

O artigo aborda a importância de um estudo interdisciplinar durante as férias da graduação em Direito, sugerindo que os estudantes explorem novas áreas de conhecimento, como Economia e Psicologia, para expandir sua compreensão do fenômeno jurídico. O autor, Alexandre Morais da Rosa, enfatiza que essa busca por outros saberes pode enriquecer o aprendizado, desafiando a abordagem dogmática tradicional do Direito e promovendo novas perspectivas críticas. Além disso, é destacado que períodos de f...

Alexandre Morais da Rosa
02 dez. 2017 4 acessos
O que você estudará durante as férias da graduação em Direito?

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O artigo aborda a importância de um estudo interdisciplinar durante as férias da graduação em Direito, sugerindo que os estudantes explorem novas áreas de conhecimento, como Economia e Psicologia, para expandir sua compreensão do fenômeno jurídico. O autor, Alexandre Morais da Rosa, enfatiza que essa busca por outros saberes pode enriquecer o aprendizado, desafiando a abordagem dogmática tradicional do Direito e promovendo novas perspectivas críticas. Além disso, é destacado que períodos de férias oferecem a oportunidade ideal para essa exploração, incentivando os estudantes a não se limitarem ao relaxamento, mas a buscarem conhecimento.

Publicado no Conjur

Por mais que os professores tenham a capacidade de apresentar os temas principais, a atitude do estudante em levar adiante e pensar o impensável no campo jurídico, em geral, é sitiada em nome da segurança jurídica e do saber posto. O estudo é quase dogmático em alguns campos. Arriscar-se a ir adiante e se perder nos diversos campos do jurídico promove o conhecimento interdisciplinar/transdisciplinar. É verdade que o deslizar para outros campos sempre será arriscado, especialmente pelas facilidades vendidas por discursos fáceis e totalizantes da realidade.

De qualquer forma, ter a noção de que o fenômeno jurídico não se restringe ao normativo e se desloca para o império da interação humana, entre sujeitos e instituições, mediados pelos lugares de vantagem/desvantagem para com o exercício do poder, será um ganho. Instigar, então, estudantes por horizontes diversos — Economia, Psicologia, Sociologia, Ciências da Computação, Filosofia, Matemática, Física, Química etc., abre espaço para ampliar as diversas perspectivas do modo como o direito se articula. Será, todavia, um modo desprovido das certezas convenientes da modernidade, especialmente pela superação da razão totalizante, porque no inconsciente (não necessariamente freudiano), as emoções e as limitações cognitivas, por exemplo, comporão um mosaico diferenciado, em que o sentido do evento possa se estabelecer. O estabelecer aqui tem um sentido bem preciso, justamente porque não é a descoberta platônica de um mundo ideal que se esconde do sujeito e poderia ser avistado pelos métodos adequados. O trabalho é mais custoso, sinuoso e desconcertante.

Até mesmo o fato de se perder tempo em teorias que serão depois descartadas/superadas é motivo de louvor, dado que, sem compreender os passos anteriores pelos quais se organiza a realidade que compartilhamos, o desafio de transcender os limites banais e irrealistas pode se apresentar paradoxal. Será preciso um certo percurso filosófico para entender de onde vem a maneira como aprendemos a realidade e seu caráter precário.

Aproveitem as férias para estudar algo diferente, fora do Direito. Parafraseando Carlo Rovelli, os períodos de férias são aqueles nos quais estudamos melhor, porque não estamos distraídos com as aulas da graduação. Arrisque-se em novos horizontes durante suas férias, porque aquele que acha que férias é só para relaxar, de fato, fica para trás.

P.S. Se quiser, conte comigo para indicar textos e livros. Pode me encontrar no Facebook ou no Instagram. Um grande abraço.

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)

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