Eduardo Newton: Novas tecnologias, aporofobia e encarceramento
O artigo aborda a relação entre novas tecnologias, a aporofobia e o sistema penal no Brasil, destacando como a virtualização dos processos judiciais pode agravar a desumanização dos réus, geralmente marginalizados pela sociedade. Os autores exploram a crítica de que a ausência de contato físico e empatia nas audiências virtuais contribui para políticas de encarceramento em massa, evidenciando a influência do neoliberalismo na percepção negativa sobre os pobres. Além disso, a discussão sobre a...

O artigo aborda as interseções entre novas tecnologias, aporofobia e o fenômeno do grande encarceramento no Brasil, destacando como a implementação de audiências virtuais durante a crise sanitária afetou a relação entre o réu e o sistema judiciário, levando a decisões menos empáticas.
A obra de Fernando Soubhia é citada para discutir o impacto negativo da falta de contato visual no processo penal, sugerindo que isso pode reforçar a política de encarceramento. O conceito de aporofobia, conforme explicação de Adela Cortina, é apresentado como uma aversão aos pobres, exacerbada pelo neoliberalismo, que tende a deslegitimar a pobreza como uma questão social e positiva somente no âmbito da troca econômica. O autor discute como essa indiferença e a seletividade nas interações sociais agravam a exclusão dos pobres, questionando a eficácia das novas tecnologias que promovem o distanciamento.
O texto também menciona a crítica ao crescimento do Estado penal como substituto das políticas sociais e a necessidade de uma abordagem mais humana e inclusiva, referindo-se à importância do contato físico e do acolhimento, conforme ressaltado pelo Papa Francisco. Por fim, enfatiza que, apesar das vantagens econômicas das tecnologias, é crucial não perder de vista a humanidade do réu.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Novas tecnologias, aporofobia e o grande encarceramento no Brasil", escrito por Eduardo Januário Newton.
- Análise Descritiva e Crítica: A importância de examinar a realidade pelo viés descritivo e crítico, destacando a relevância das audiências virtuais no cotidiano forense.
- Impacto das Audiências Virtuais: Discussão sobre como a ausência de contato físico pode afetar o sentido de empatia e solidariedade nas decisões judiciais, conforme apontado por Fernando Antunes Soubhia.
- Aporofobia e Democracia: Conceito de aporofobia, a aversão ao pobre, como um problema sério para o regime democrático, baseado nas reflexões de Adela Cortina.
- Neoliberalismo e Indiferença: A análise da racionalidade neoliberal que exacerba a aversão ao pobre e resulta na indiferença e no desprezo pelas desigualdades sociais.
- Substituição do Estado Penal: A crítica ao crescimento do Estado penal em detrimento de políticas públicas sociais, evidenciada na obra de Rubens Casara.
- Deslocamento Emocional do Réu: Reflexão sobre como o uso de novas tecnologias no processo penal contribui para o afastamento físico e emocional do réu, intensificando a aporofobia.
- Importância do Contato Humano: Apontamentos de Lúcia Pedrosa-Pádua e Papa Francisco sobre como a proximidade e o contato físico são essenciais para a promoção e inclusão dos pobres no sistema judicial.
- Crítica ao Uso de Novas Tecnologias: Questionamento sobre a eficiência das novas tecnologias no processo penal e a necessidade de não perder de vista a dignidade humana dos réus.
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