Mistanásia prisional: saúde do preso e a perversa seletividade imposta
O artigo aborda a problemática da saúde dos presos, destacando a seletividade cruel imposta pelo sistema prisional brasileiro, especialmente no Rio de Janeiro. Os autores analisam o reconhecimento do estado de coisas inconstitucional e a incapacidade do sistema em garantir direitos básicos, como o acesso à saúde, evidenciando a disparidade entre aqueles que podem pagar por serviços privados e os que ficam à mercê de condições degradantes. Além disso, discute-se o conceito de mistanásia, ressa...

O artigo aborda a complexa relação entre a saúde dos presos e a seletividade imposta pelo sistema prisional brasileiro, especialmente no contexto fluminense.
Inicialmente, discorre sobre a seletividade na persecução penal e sua repercussão no sistema penitenciário, salientando que essa seletividade reflete interesses sociais e é sustentada por uma construção histórica. Em seguida, menciona a incapacidade estrutural do sistema prisional, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, que impossibilita os presos de exercerem seus direitos fundamentais, incluindo o direito à saúde, cujo conceito deve abarcar o bem-estar integral. O texto também critica a realidade da saúde prisional no Rio de Janeiro, onde a solução privatista acentua a desigualdade: presos com recursos têm acesso a tratamentos de saúde, enquanto os mais pobres são abandonados.
Essa situação é associada ao conceito de mistanásia, que se refere à morte antecipada socialmente imposta, exacerbada pela falta de cuidados adequados, como evidenciado pelas altas taxas de tuberculose nas prisões. Por fim, o artigo evoca a necessidade de questionar a normalização da seletividade e da discriminação social no sistema prisional, ressaltando que essa dinâmica perpetua uma hierarquia de direitos, onde alguns presos são tratados como mais iguais que outros.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Mistanásia prisional: saúde do preso e a perversa seletividade imposta" por Eduardo Januário Newton.
- Privação de Liberdade e Direitos: Análise da restrição dos direitos do preso, com ênfase no impacto sobre o direito à saúde e a seletividade do sistema prisional.
- Seletividade na Persecução Penal: Reflexão sobre a seletividade penal e sua manifestação dentro do sistema prisional, destacando a construção social dos bens jurídicos protegidos.
- Estado de Coisas Inconstitucional: Discussão do reconhecimento pelo STF sobre a incapacidade do sistema prisional em garantir direitos fundamentais, conforme ADPF nº 347.
- Definição de Saúde: Interpretação da saúde como um estado de bem-estar em diversas dimensões, não apenas a ausência de doenças.
- Realidade do Sistema Prisional no Rio de Janeiro: Exposição do fracasso do Estado em promover uma sociedade igualitária e fraterna, e a seletividade que favorece os mais abastados.
- Privatização da Saúde no Sistema Prisional: Crítica à solução privatista, onde prisioneiros com recursos têm acesso a cuidados médicos, enquanto os mais pobres ficam sem atendimento.
- Mistanásia e Eutanásia Social: Conexão entre a mistanásia e a seletividade que permeia o sistema prisional, caracterizando a exclusão e o abandono dos mais vulneráveis.
- Altas Taxas de Incidência de Tuberculose: Apresentação das preocupantes estatísticas sobre saúde dentro do sistema prisional fluminense, com destaque para a tuberculose.
- Questões Éticas sobre a Intervalidade do Estado: Reflexão sobre a naturalização da seletividade e seus impactos sociais, questionando as desigualdades do tratamento no cumprimento da pena.
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