Matriz autoritária como condicionante no processo penal
O artigo aborda a influência da matriz autoritária no processo penal brasileiro, destacando como essa estrutura normativa compromete os direitos individuais em favor de uma suposta defesa do interesse coletivo. Os autores discutem a resistência à presunção de inocência e abordam a centralização do poder do julgador, evidenciando as limitações das garantias processuais que favorecem a prisão em detrimento da liberdade. A reflexão se concentra na necessidade de um compromisso efetivo com os ide...

O artigo aborda a influência da matriz autoritária no Código de Processo Penal (CPP) e como isso afeta a atuação do julgador no processo penal.
Entre os temas discutidos estão a prevalência do interesse coletivo sobre os direitos individuais, demonstrando a permanência de uma cultura autoritária mesmo após a Constituição de 1988; a relativização das formas processuais e a centralidade do julgador, enfatizando a preponderância de elementos do inquérito e da ordem pública; a criminalização da liberdade, exemplificada pela banalização da prisão cautelar e pela execução antecipada da pena em contrariedade ao princípio da presunção de inocência; as restrições nas possibilidades de recursos para a defesa, que são significativamente mais limitadas do que para a acusação; e o condicionamento das expectativas sociais no que tange à função do magistrado, que se vê pressionado por uma legislação que prioriza a prisão.
O texto critica a formação dos atores jurídicos, que se mantém arraigada em ideais autoritários, e levanta preocupações sobre a eficácia da Constituição em promover um processo penal democrático, reiterando a luta contínua por uma reforma significativa nesse contexto.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Matriz autoritária como condicionante na atuação do julgador no processo penal" de Alexandre Morais da Rosa e Daniel Kessler de Oliveira.
- A presença da matriz autoritária no Código de Processo Penal: A influência de um pseudo interesse coletivo em detrimento dos direitos individuais, mesmo após a Constituição de 1988.
- Impactos na prática forense: A centralidade do julgador, a preponderância dos elementos do inquérito e a banalização da prisão cautelar como sintomas da legislação não recepcionada pela Constituição.
- Conflito entre liberdade e prisão: A importância da presunção de inocência e como essa base principiológica deve moldar a excepcionalidade da prisão.
- Limitações dos recursos disponíveis: A confecção dos recursos apenas a favor da acusação e as dificuldades enfrentadas pela defesa em um sistema injusto.
- Expectativas do magistrado e sua atuação: A pressão por priorizar a prisão e a associação da liberdade com um estado provisório.
- Continuidade da cultura jurídica autoritária: A permanência das doutrinas da década de 80 e 90 na formação dos julgadores, com impacto na cultura jurídica atual.
- Desafios para um processo penal democrático: As dificuldades encontradas na luta por um sistema processual alinhado com os ideais da Constituição após 30 anos de sua promulgação.
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