STJ e o dever de revelação: uma proposta à comunidade arbitral
O artigo aborda a importância do dever de revelação dos árbitros no contexto da arbitragem, destacando um recente acórdão do STJ sobre essa questão. Os autores argumentam que a imparcialidade do árbitro é essencial para a validade do processo arbitral e que a omissão de informações relevantes pode comprometer a confiança das partes. A proposta inclui a criação de registros de árbitros com sentenças anuladas para promover maior transparência e responsabilidade na comunidade arbitral.

O artigo aborda a discussão sobre o dever de revelação na arbitragem, referindo-se especificamente a decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reafirmam a importância da imparcialidade do árbitro como pressuposto da validade da arbitragem.
Os temas incluem a análise do acórdão do REsp nº 2.215.990/SP, que enfatiza que o dever de revelação é objetivo e independe da conveniência do árbitro, assim como a crítica ao silêncio da doutrina em relação a essa questão. Discute-se a natureza da arbitragem como um subsistema do direito, que não pode ignorar normas externas ou a jurisprudência estatal. O artigo também examina um caso concreto de quebra do dever de revelação em uma arbitragem de contrato de energia elétrica, abordando a revelação insuficiente de informações pelo árbitro e as consequências dessa omissão.
O texto discute a decisão do STJ, que confirma que a revelação tardia não é suficiente para cumprir esse dever, e reitera que cabe ao árbitro garantir a transparência e a confiança das partes. Por fim, propõe-se a criação de registros públicos de sentenças anuladas por quebra de dever de revelação, a fim de aumentar a responsabilidade e a transparência na comunidade arbitral, enfatizando que a legitimidade do árbitro não se mede apenas pelo seu brilho exterior, mas pela consistência de suas ações em conformidade com as normas.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "STJ e o dever de revelação: uma proposta à comunidade arbitral" por Georges Abboud.
- Dever de revelação na arbitragem: Análise do acórdão do STJ sobre o dever de revelação do árbitro, destacando sua importância para a validade da arbitragem.
- Silêncio da doutrina: Reflexão sobre a falta de resposta da comunidade jurídica após decisões do STJ que desafiam o dogma da autonomia da arbitragem.
- A importância das decisões do STJ: Como os precedentes do STJ podem levar a uma maior legitimidade da arbitragem, desmantelando a visão de um sistema autocontido.
- Casos específicos de quebra de dever de revelação: Descrição do caso de rescisão de contrato de compra e venda de energia elétrica, com foco nas omissões do árbitro na revelação de informações relevantes.
- Revelação tardia: Debate sobre a insuficiência da revelação tardia e a importância de se revelar informações relevantes logo no início do processo arbitral.
- Juízo de relevância: Omissão do árbitro: A decisão do STJ de que o árbitro não deve decidir sobre a pertinência das informações a serem reveladas, uma responsabilidade que cabe às partes.
- Diferenciação de informação acessível: Análise das condições de se considerar uma informação como acessível, e não simplesmente pública.
- Proposta de registro público: Sugestão de que câmaras de arbitragem mantenham um registro das sentenças anuladas, indicando o árbitro responsável, para maior transparência na arbitragem.
- Relação da arbitragem com o Judiciário: Reflexão sobre a importância do controle judicativo para a preservação da legitimidade e autonomia da arbitragem.
- Ruínas da arbitragem: Comparação entre a falta de eficácia na arbitragem e a necessidade de instituições que garantam a verdadeira autonomia e ética na prática da arbitragem.
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