É o Estado o maior litigante abusivo?
O artigo aborda a problemática da litigância abusiva do Estado no Brasil, destacando que o órgão público é o maior litigante do país, especialmente nas áreas tributária e fiscal. A análise aponta a ineficiência do sistema judicial, que se agrava pelo aumento de ações judiciais, muitos dos quais são desnecessários e custam mais do que arrecadam. Os autores propõem uma reflexão sobre a moralidade na atuação estatal, enfatizando a necessidade de responsabilidade e a busca por soluções que não on...

O artigo aborda a questão da litigância abusiva do Estado no Brasil, destacando que ele é o maior litigante do país, superando até mesmo instituições privadas.
Os autores, Georges Abboud e Francisco de Assis e Silva, discutem a quantidade alarmante de processos em tramitação, incluindo dados sobre execuções fiscais que demonstram a ineficiência da cobrança tributária e o elevado consumo de recursos do Judiciário. Eles argumentam que a litigância estatal é não apenas excessiva, mas também ilegal, classificando-a como abusiva e predatória, o que se manifesta em práticas como a multiplicação de ações judiciais e litígios contra teses jurídicas já estabelecidas.
O texto ainda aborda a questão da litigância ilícita em contextos penal e tributário, enfatizando os danos causados ao contribuinte e ao próprio sistema de justiça. Os autores propõem uma reflexão sobre a moralidade e a boa-fé no agir do Estado, sugerindo que a doutrina deve desempenhar um papel ativo na correção dessas práticas prejudiciais, culminando em uma defesa pela implementação de um sistema que realmente promova a justiça e proteja os cidadãos contra abusos.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "É o Estado o maior litigante abusivo?" por Georges Abboud, Francisco de Assis e Silva.
- O Estado como maior litigante: Análise sobre como o Estado brasileiro, incluindo o INSS e o Fisco, se tornou o principal litigante no sistema de justiça, superando bancos e empresas privadas.
- Execuções fiscais e eficiência: Discussão sobre o impacto das execuções fiscais, que representam 22% dos processos em tramitação e têm uma média de tempo de tramitação de 8 anos e 2 meses.
- Gestão estatal inadequada: Crítica à gestão de processos pelo Estado e à falta de coordenação nas estatísticas, resultando em ineficiência e litígios excessivos.
- Dimensionamento moral da litigância estatal: Proposta de que a litigância excessiva do Estado é um problema moral e não apenas de gestão, destacando o desvio de finalidade nas ações estatais.
- Litigância ilícita: Análise das diferentes formas de litigância ilícita, desde demandas pontuais até ações estruturalmente ilícitas que instrumentalizam a justiça para fins diversos.
- Consequências da litigância estatal: Discussão sobre como a litigância abusiva afeta não apenas as partes envolvidas, mas também a própria ideia de Estado de Direito.
- Práticas nocivas no processo penal: Exemplos de como a litigância abusiva se manifesta no âmbito penal, com erros estratégicos que refletem desvios de finalidade.
- Contencioso tributário: Exposição do complicado cenário enfrentado por empresas devido ao contencioso tributário, ilustrando a sobreposição de execuções fiscais.
- Reflexão sobre a cobrança de dívidas prescritas: Casos em que o Estado continua a cobrar dívidas já prescritas, refletindo a falta de respeito pela legalidade nas práticas de cobrança.
- Custos da litigância ilícita: Sondagem dos múltiplos custos da litigância abusiva, que afetam empresas, o sistema de justiça e a confiança na legislação.
- Papel da doutrina e jurisprudência: Discussão sobre as iniciativas do STF e STJ para combater a litigância abusiva e a importância da boa-fé processual no contexto estatal.
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