Cícero's e Salustia's: a produção de pessoas esquecíveis
O artigo aborda a produção de figuras esquecíveis no contexto jurídico e social brasileiro, destacando como experiências de violência, encarceramento e exploração de mulheres negras refletem a negação da dignidade humana e a manutenção de estruturas opressoras. Através de narrativas pungentes, como as de Cícero e Salustia, são discutidas as falhas do sistema judiciário e as desigualdades intrínsecas à sociedade, convidando à reflexão sobre os direitos humanos e os desafios da justiça social n...

O artigo aborda as consequências da invisibilidade e do esquecimento social de indivíduos marginalizados, através de narrativas que interligam o passado escravocrata do Brasil e suas repercussões contemporâneas.
Inicialmente, explora a situação de pessoas que passaram longos anos esquecidas em cárceres ou exploradas em condições de trabalho degradantes, destacando o caso de um homem preso injustamente por mais de uma década e a violação da dignidade de mulheres negras, como Maria das Graças e Salustia. O texto também critica a construção de uma identidade nacional de “democracia racial” que silencia as violências sofridas por grupos historicamente oprimidos, evidenciando como o direito, em vez de proteger, frequentemente mantém estruturas de poder que marginalizam esses indivíduos.
Além disso, menciona a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADPF) nº 347, que expôs a desumanidade das prisões brasileiras, e ressalta a resistência de movimentos sociais que contestam estas injustiças e buscam a efetividade dos direitos humanos. O artigo conclui refletindo sobre a permanência de um sistema que protege interesses elitistas e reafirma a urgência de se promover novos futuros que desafiem as narrativas opressivas, utilizando exemplos históricos como o caso de Salustia para enfatizar a luta contínua por dignidade e liberdade.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Cícero's e Salustia's: a produção de pessoas esquecíveis" por Vinícius Assumpção.
- A denúncia da prisão indevida: Relato de um homem que esteve preso por mais de 10 anos sem um processo penal que justificasse sua detenção, evidenciando a falha do sistema de justiça.
- Experiência de Maria das Graças: Descrição das condições desumanas enfrentadas por mulheres, como Maria das Graças, que se tornaram invisíveis na sociedade, refletindo a opressão e a violência contra mulheres pretas.
- Subjetividades em um contexto misógino e racista: Análise sobre como o Direito serve como uma ferramenta de poder que naturaliza desigualdades sociais e raciais no Brasil.
- A falsa democracia racial: Reflexão crítica sobre a ideia de “democracia racial” no Brasil, uma narrativa que silencia a violência histórica contra negros e indígenas.
- Inconstitucionalidade do sistema penitenciário: Discussão sobre a ADPF nº 347, que reconhece a inconstitucionalidade do sistema prisional brasileiro e as suas condições desumanas.
- Audiências de custódia: Análise das audiências de custódia e como, apesar de serem um avanço, ainda perpetuam desigualdades na aplicação do Direito.
- História de Salustia: Relato histórico de Salustia, uma mulher escravizada que lutou por sua liberdade, destacando os desafios enfrentados no sistema judiciário do século XIX.
- Relação entre passado e presente: Conexões entre as injustiças do passado e as lutas contemporâneas contra a opressão, ressaltando a urgência de um futuro mais justo.
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