Jurisdição e o nosso cachorro
O artigo aborda a crescente discussão sobre a guarda de animais de estimação em casos de separação, analisando a tutela jurídica dos animais como seres sencientes e não meramente como objetos. Os autores, Aline Gostinski e Maurilio Casas Maia, destacam a importância de reconhecer a vulnerabilidade dos animais e o papel dos tribunais, como o TJ-SP, em considerar seus interesses nas decisões. A obra também explora conceitos como o especismo e o princípio da afetividade, propondo uma nova visão ...

O artigo aborda a crescente questão da guarda de animais de estimação em casos de separação de casais, explorando temas como a transição do entendimento dos animais de "coisas" para "seres sencientes" que necessitam de proteção jurídica.
Os autores discutem o conceito de especismo, que reflete a visão antropocêntrica que subestima a importância dos animais, e a senciência, que é a capacidade dos animais de sentir e ter necessidades emocionais. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo é citada como um marco que reconhece a senciência e os interesses dos animais em disputas judiciais, enfatizando que eles não podem ser tratados como meros objetos.
O princípio da afetividade, que valida o vínculo emocional entre humanos e animais, é destacado como fundamental no contexto jurídico familiar. Além disso, o artigo comenta a vulnerabilidade dos animais, comparando-os a outros grupos sociais que necessitam de proteção. Por fim, é uma reflexão sobre a necessidade de uma mudança de paradigma na forma como a sociedade percebe e tutela os direitos dos animais.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Jurisdição e o nosso cachorro" por Aline Gostinski e Maurilio Casas Maia.
- Crise Conjugal e Guarda de Animais: Exploração do tema da guarda de animais de estimação em separações, destacando que essa questão é cada vez mais comum nos tribunais.
- Reconhecimento da Senciência: Discussão sobre a senciência dos animais, argumentando contra a visão tradicional que os equipara a objetos, e defendendo a tutela jurídica dos interesses dos animais.
- Decisões do TJ-SP: Análise de como o Tribunal de Justiça de São Paulo considera o interesse dos animais em suas decisões, não tratando-os como objetos de partilha patrimonial.
- Especismo e Vulnerabilidade dos Animais: Reflexão sobre o preconceito especista e a vulnerabilidade dos animais, destacando a necessidade de uma proteção jurídica diferenciada.
- Senciência e Sistema Nervoso: Abordagem sobre o que significa ser um ser senciente, incluindo o argumento de que animais como cães e gatos possuem consciência e são capazes de sentir dor e emocionais.
- Princípios Constitucionais: Citação da Constituição Brasileira que reconhece a proteção dos animais e a impossibilidade de submetê-los à crueldade.
- Princípio da Afetividade: Consideração do afeto como um valor jurídico relevante no direito de família e como um fator que justifica a tutela dos interesses dos animais.
- Direitos à Convivência: Discussão sobre o direito de convivência e a defesa da guarda alternada de animais em disputas judiciais, levando em consideração seus interesses.
- Importância da Proteção Jurídica: Conclusão sobre a necessidade de uma proteção jurídica mais atenta ao "melhor interesse" dos animais, baseado em semelhanças e desigualdades em relação a outros grupos vulneráveis.
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