Contos de bruxas: na floresta do direito, devorados pela subjetividade medieval
O artigo aborda a relação entre feminilidade e poder no contexto do Direito Medieval, destacando a figura da bruxa como símbolo de uma perseguição que reflete a crítica contra a autonomia feminina. A autora Maíra Marchi Gomes discute como essa figura foi utilizada como um dispositivo social para expurgar medos coletivos, além de examinar a representação da bruxa nos contos de fadas e sua persistência no imaginário contemporâneo, questionando a permanência do machismo no Direito atual.

O artigo aborda a intersecção entre a figura da bruxa e o Direito Medieval, ressaltando a relação entre feminilidade e poder, com ênfase na figura da bruxa como um ícone do sistema judicial da época.
Examine as reações sociais à bruxaria durante os séculos XV a XVII, destacando a sua perseguição durante a contra-reforma e a representação dela como um agente social a ser expurgado. O texto explora a construção da imagem da bruxa nos contos de fadas, que refletia os contextos sociais de miséria e medo, e discute como esses contos perpetuaram visões de gênero e moralidade, abordando características dos contos que promovem valores ocidentais, tanto no passado quanto no presente. Em uma análise crítica, o artigo vincula o machismo contemporâneo ao Direito, questionando se o discurso jurídico ainda perpetua a infantilização e a santificação do feminino e destaca a necessidade de reconhecer a conexão entre a simbologia das bruxas, a violência de gênero e as estruturas patriarcais na sociedade atual.
Por fim, o texto convida à reflexão sobre a continuidade das narrativas e valores medievais na cultura ocidental, especialmente em relação ao papel e à representação das mulheres.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Contos de bruxas: na floresta do direito, devorados pela subjetividade medieval" por Maíra Marchi Gomes.
- Relação entre Direito e Bruxas: A discussão sobre como a figura da bruxa está imersa no Direito Medieval, simbolizando a articulação entre feminilidade e poder.
- O papel da contra-reforma: Análise do contexto histórico entre os séculos XV e XVII, onde a redescoberta da cultura greco-romana encontrava relações com a figura da bruxa e suas implicações sociais.
- Rechaço ao feminino: Exploração do repúdio direcionado às mulheres que não se encaixavam nas normas sociais, destacando a autonomia do corpo e a não submissão.
- Contos de fadas e Bruxas: A evolução da imagem da bruxa nas histórias, de uma figura inicialmente bela a um símbolo do horrendo e do repugnante nas narrativas populares.
- Mensagens sociais nos contos: Análise das mensagens que perpassam os contos de fadas, como a divisão entre o bom e o mau e a representação do papel das mulheres e homens na sociedade.
- Influência da cristandade: Discussão sobre como a cristandade transformou os contos de bruxas de entretenimento em moralidades educacionais, alterando sua função social original.
- Público-alvo mudado: A transição do público-alvo das histórias de bruxas, de adultos para crianças, e o impacto dessa mudança na narrativa e recepção cultural.
- Apropriação pelo Direito: Um olhar crítico sobre como o discurso jurídico contemporâneo ainda carrega resquícios do machismo e as implicações para o feminismo moderno.
- Reconhecimento do machismo: Reflexão sobre a necessidade de reconhecer a própria complicidade na construção e perpetuação do machismo dentro do sistema jurídico e social.
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