As fogueiras acesas do crime e a responsabilidade do sujeito
O artigo aborda a responsabilidade do sujeito dentro do contexto jurídico contemporâneo, refletindo sobre a forma como a ética e a obediência a normas podem desresponsabilizar indivíduos, como visto em exemplos da literatura e da prática judiciária. Discute-se a perda da singularidade na atuação judicial devido à pressão por resultados e a influência do discurso neoliberal, que ora promove a eficiência em detrimento da ética, ora silencia a voz do sujeito nas decisões. Por fim, destaca-se a n...

O artigo aborda a complexidade da responsabilidade individual em relação ao crime, refletindo sobre a narrativa de "O Leitor" de Bernhard Schlink, em que a figura da mãe e as obrigações morais são centrais para a compreensão das ações do sujeito.
Discute, ainda, a noção de culpa e a desconexão entre o sujeito e suas ações ao se colocar a culpa em ordens superiores, conforme sugere Zizek, o que gera uma perda de individualidade e de referência no âmbito do Judiciário. A crise da decisão judicial é analisada, evidenciando a homogeneização dos discursos e a busca por resultados em detrimento da compreensão e da singularidade dos casos, além da crítica ao modelo neoliberal que permeia o direito e a Justiça Criminal, resultando em uma "Esquerda Punitiva". A transformação do Poder Judiciário e a redução da autonomia dos magistrados são temas centrais, assim como a crítica à forma como a sociedade lida com a figura do "bandido", destacando a violência inerente às relações sociais e a perda da dignidade do indivíduo no processo judicial.
Finalmente, aborda-se a influência da mídia e a construção da imagem do sujeito na contemporaneidade, ressaltando a importância de reestabelecer limites éticos e a responsabilidade do sujeito por suas escolhas, numa reflexão sobre a banalização da violência e a necessidade de um direito que vá além das pressões externas e da lógica dos espetáculos midiáticos.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "As fogueiras acesas do crime e a responsabilidade do sujeito" por Alexandre de Morais da Rosa.
- O papel da memória: Reflexão sobre como as recordações moldam a percepção das experiências, influenciando a forma como os sujeitos atuam e se vêem em relação ao passado.
- Estrutura da responsabilidade: Discussão sobre a responsabilidade atribuída ao sujeito em um contexto onde ele é muitas vezes acometido por ordens e normas, levando a uma diluição do sentido de culpa.
- Crítica à ética formal: Análise da ética kantiana e sua insuficiência para abordar as complexidades das ações humanas dentro do contexto judiciário.
- A ampliação do Poder Judiciário: Reflexão sobre o impacto da proliferação de juízes na sociedade e a perda da figura do juiz como um referencial impessoal e singular.
- Impacto da lógica do mercado no direito: Avaliação do novo discurso neoliberal e como ele afeta a prática judiciária, promovendo uma visão de eficácia em detrimento da legalidade.
- A crise da decisão judicial: Crítica à padronização das decisões judiciais e à falta de individualidade que desumaniza o processo de justiça.
- O papel da crítica na jurisprudência: Importância da crítica para a manutenção da autonomia e singularidade das decisões, destacando a resistência ao conformismo eficiente.
- Consequências da banalidade no direito: Discussão sobre como a normalização do pensamento jurídico tem levado a um empobrecimento da discussão sobre a complexidade legal e social.
- A natureza da violência: Reflexão sobre a constituição da violência como parte inerente das relações sociais e sua representação no sistema jurídico.
- A influência da mídia e da opinião pública: Análise da pressão social e midiática sobre os magistrados e suas decisões, levando a uma busca por reconhecimento e aprovação.
- O dilema da participação no "espetáculo do bem": Questão da responsabilidade pessoal na atuação dentro de um cenário onde o bem e o mal são frequentemente confundidos.
- A questão do linchamento social: Investigação das consequências da exposição midiática e da cultura do linchamento na formação da subjetividade e identidade do sujeito.
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