Crie repertório: IA, 'vibe lawyering' e o risco de automatizar a imprudência
O artigo aborda o impacto da inteligência artificial generativa no campo jurídico, destacando sua utilidade como ferramenta de apoio, mas alertando para os riscos da automatização da imprudência e da dependência cognitiva. Os autores discutem o fenômeno do “vibe lawyering”, onde usuários sem formação jurídica se apoiam excessivamente em tecnologias de IA para formular teses e redigir documentos, resultando em possíveis erros e desinformação. A reflexão central gira em torno da necessidade de ...

O artigo aborda a utilização da inteligência artificial (IA) no campo jurídico, destacando suas capacidades como ferramenta de apoio, como a detecção de padrões, resumo de documentos e identificação de inconsistências.
Porém, alerta para os riscos da adoção acrítica dessa tecnologia, que pode levar à desqualificação profissional (deskilling) e à substituição do juízo crítico dos advogados. Introduz o conceito de “vibe lawyering”, referindo-se à prática de indivíduos sem formação jurídica utilizando IA para formular teses ou redigir peças, o que pode gerar previsões equivocadas sobre casos legais. O texto expõe preocupações com o crescimento da litigiosidade, aumento de documentos processuais inadequados e a ideia de que a facilidade trazida pela IA não implica automaticamente maior qualidade na tutela jurídica.
Também são mencionados estudos do impacto da IA no acesso à justiça nos EUA, incluindo o aumento significativo de ações judiciais por pessoas sem advogados e a sobrecarga do sistema judicial. Conclui que, embora a IA possa ser benéfica, é essencial que os usuários desenvolvam repertório jurídico, compreendam os limites da tecnologia e adotem práticas responsáveis ao seu uso, enfatizando a distinção entre a aparência de conhecimento técnico e a realidade da competência jurídica.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Crie repertório: IA, 'vibe lawyering' e o risco de automatizar a imprudência" por Dierle Nunes e Camila Bambirra.
- Inteligência Artificial como Ferramenta: A IA generativa como suporte para advogados e cidadãos na identificação de padrões, resumos de documentos e sugestões argumentativas, mas com riscos associados ao uso imprudente.
- Deskilling e Dependência Cognitiva: A crítica ao uso acrítico da IA que leva à desqualificação profissional, onde a tecnologia substitui o juízo crítico dos profissionais do Direito.
- Limitações da IA no Direito: A IA não compreende o Direito como um jurista; pode gerar respostas enganadoras que aparentam ser verdadeiras sem respaldo jurídico.
- Vibe Lawyering: O fenômeno em que leigos utilizam IA para formular teses jurídicas e redigir peças, gerando uma falsa sensação de segurança e conhecimento.
- Aumento da Litigiosidade: A preocupação com o aumento das ações judiciais sem adequada representação legal devido ao uso crescente de IA por litigantes.
- Impacto da IA nas Ações Judiciais: Dados que mostram um aumento na quantidade de movimentações processuais, sem melhora na qualidade, gerando uma sobrecarga ao sistema judicial.
- Educação e Governança: A necessidade de criar repertório para cidadãos e advogados, além da governança da IA no Judiciário para controlar e monitorar o uso da tecnologia.
- O Futuro da Prática Jurídica: Reflexão sobre como a IA pode ser utilizada de forma responsável, ressaltando a importância da formação contínua e da critical evaluation nas práticas jurídicas.
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