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Artigos Conjur – Como pensar os jogos de verdade no ambiente do processo penal

ARTIGO

Como pensar os jogos de verdade no ambiente do processo penal

O artigo aborda a complexidade da interação processual no tribunal do júri, enfatizando a importância do fator humano e das estratégias argumentativas para influenciar o convencimento dos jurados. Alexandre Morais da Rosa discute a aplicação da Teoria dos Jogos e a necessidade de preparar-se com informações assimétricas, visando mitigar o impacto da sorte no julgamento. A proposta é uma abordagem inovadora que destaca a relevância do uso da linguagem e pequenos detalhes no processo decisório,...

Alexandre Morais da Rosa
31 ago. 2018 7 acessos
Como pensar os jogos de verdade no ambiente do processo penal

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O artigo aborda a complexidade da interação processual no tribunal do júri, enfatizando a importância do fator humano e das estratégias argumentativas para influenciar o convencimento dos jurados. Alexandre Morais da Rosa discute a aplicação da Teoria dos Jogos e a necessidade de preparar-se com informações assimétricas, visando mitigar o impacto da sorte no julgamento. A proposta é uma abordagem inovadora que destaca a relevância do uso da linguagem e pequenos detalhes no processo decisório, orientando os que atuam no júri a se profissionalizarem e se adaptarem a esse ambiente.

Publicado no Conjur

Inserir o fator humano e estratégico no contexto de cada interação processual implica em tornar mais complexa a atividade em busca do convencimento do julgador. E as variáveis são múltiplas. Além disso, quando se trata de tribunal do júri, a questão é ainda mais complicada, justamente porque a pretensão de validade é (ou não) confirmada pelos jurados, em geral não formados em Direito. Nisso, o regime de verdade, tão bem alinhado com Michel Foucault, encontra camadas de convencimento, em jogos de linguagem, sem verdade transcendente. Parte-se, então, da superação da verdade real para se colocar a linguagem no centro do processo penal e da deliberação do corpo de jurados.

Antes de sublinhar a aplicação da Teoria dos Jogos, o trabalho faz o resgate dos alicerces democráticos da instituição tribunal do júri, apontando, no Brasil, as vicissitudes de um modo aparente de participação do povo nas condenações de crimes de sangue.

Superada a discussão sobre o regime de verdade contingente no tribunal do júri, de modo inovador, Fabiana apresenta um esquema de atuação que leve em consideração, no momento do julgamento em plenário, a importância da teoria da informação. Quanto mais a informação for assimétrica, mais a sorte será o fator decisivo. Daí que se preparar para o dia do julgamento, com a ampliação do domínio do mapa mental dos jurados sorteados e as expectativas de comportamento decisório, a eleição da estratégia adequada passa a ser um ganho técnico. Os jogadores — Ministério Público e defesa — devem, a partir dos jurados que estão convocados e não que sonham, eleger as táticas argumentativas capazes de obter seu objetivo.

Trata-se de um modo inovador de se preparar para o julgamento, com certa capacidade de customização, bem assim de profissionalização do ambiente do júri, em que o fator sorte poderá comparecer, mas com seu fator de impacto mitigado. O que se deve buscar é o argumento que possa obter o plot point, a saber, o momento de virada em que o jurado passa a acolher a tese de um dos jogadores. Neste caminhar, os pequenos detalhes podem fazer toda a diferença (efeito borboleta).

Ciente disso, Fabiana propõe um cuidadoso caminho para quem quiser jogar com a linguagem no júri. Em breve sairá como livro (editora EMais) e se associa à trajetória de Aramis Nassif, Marília Brambilla, Ezilda Melo, Genivaldo da Silva e Karina Boaretto Lopes, que estudam a instituição do júri por nova cartografia, já que no júri não há espaço para amadores.

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)

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