Como construir imagens no tabuleiro do jogo penal
O artigo aborda a construção de narrativas no contexto do processo penal, destacando a interação entre os tabuleiros subjetivo e objetivo. Explora a importância da argumentação coerente e a consideração do contexto social e emocional dos envolvidos, enfatizando que a narrativa construída pode influenciar a percepção do julgador. Além disso, discute como o silêncio e as motivações do acusado e da vítima são cruciais na formação de convicções no tribunal.

O artigo aborda a complexa dinâmica do processo penal utilizando a metáfora de um jogo, dividido em dois tabuleiros: o subjetivo e o objetivo.
O tabuleiro subjetivo é centrado nas interações pessoais e na metacognição, onde se elabora a estratégia de argumentação, enquanto o tabuleiro objetivo trata das regras processuais. Destaca-se a importância do tempo e do momento certo para a construção de argumentos e a formação do convencimento do julgador, considerando o contexto emocional e social tanto do acusado quanto da vítima. A narrativa em um julgamento é essencial, devendo ser coerente e capaz de preencher lacunas deixadas pelo silêncio, que pode ser visto como um espaço a ser preenchido com significados, influenciando a percepção do juiz.
O artigo enfatiza a relevância de se construir as motivações e as circunstâncias que cercam os envolvidos, destacando a natureza social da ação e a interpretação dos fatos no tribunal. Por fim, enfatiza a necessidade de um discurso claro e sedutor que conecte as situações sociais e emocionais dos protagonistas do processo penal, reconhecendo que o julgamento deve ir além das normas, envolvendo sempre uma análise crítica das interações humanas e da realidade social do acusado.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Como construir imagens no tabuleiro do jogo penal", escrito por Alexandre Morais da Rosa.
- Dualidade dos Tabuleiros: A distinção entre o tabuleiro subjetivo, que envolve interações pessoais e decisões cognitivas, e o tabuleiro objetivo, que abrange as regras e estruturas do processo penal.
- Interação e Momento Decisivo: A importância de unir os dois tabuleiros para criar uma narrativa convincente, aproveitando o tempo e o espaço adequados para argumentações estratégicas.
- Construção da Narrativa: A necessidade de apresentar a história do acusado e da vítima, enfatizando seus contextos profissionais e sociais para contextualizar a conduta criminalizada.
- Silêncio e Imagens Mentais: O papel do silêncio na narrativa e como ele pode ser compreendido como espaço a ser preenchido com imagens que sustentem a acusação ou a defesa.
- Motivações e Dilemas: A relevância de expor os dilemas enfrentados pelo acusado e pela vítima, destacando as motivações que levaram às ações julgadas.
- Tensão Emocional: O julgamento é influenciado pelas emoções dos protagonistas, o que deve ser considerado na construção de uma argumentação atraente e coerente.
- Construção da Convicção: A capacidade do advogado de orquestrar a narrativa de maneira que ela não apenas informe, mas também convença o julgador a respeito da credibilidade das alegações.
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