Artigos Conjur – Autodefesa informacional: a testemunha que ninguém arrola

ARTIGO

Autodefesa informacional: a testemunha que ninguém arrola

O artigo aborda a prática da autodefesa informacional, que permite ao investigado utilizar seus próprios dados pessoais para se defender em processos judiciais, sem a necessidade de autorização do Estado. Apresenta o caso de Zachary McCoy, que teve seu histórico de localização como evidência de inocência, ressaltando que o acesso a dados pessoais pode substituir a requisição de provas ao juízo. Os autores enfatizam que a defesa deve agir rapidamente na coleta dessas informações e que, ao enfr...

Rafaela de Otero
12 ago. 2026
Autodefesa informacional: a testemunha que ninguém arrola
Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a "autodefesa informacional", que se refere ao uso de dados de propriedade do acusado para sua própria defesa em processos judiciais, destacando como o mesmo dado pode servir tanto para acusar quanto para inocentar.

O texto ilustra a situação de Zachary McCoy, que utilizou seu histórico de localização para se defender de uma acusação de furto, enfatizando que a defesa pode obter esses dados diretamente do titular, sem a intervenção do Estado. Também é discutido um recente acórdão do Superior Tribunal de Justiça que assegura à defesa o direito a um acesso completo aos dados sob custódia estatal, e a necessidade de se reconhecer que outros dados, como os armazenados por empresas de tecnologia, podem ser ainda mais valiosos. O artigo detalha como intimar essa "testemunha" (os dados) é um procedimento que não requer autorização judicial, mediante a Lei Geral de Proteção de Dados, que garante ao titular o direito de solicitar seus dados a qualquer momento.

O autor apresenta três aspectos principais que os dados pessoais podem revelar: a localização do cliente, a auditoria do acervo estatal e informações sobre compartilhamento de dados. Ele também estabelece princípios a serem seguidos para garantir a integridade das evidências obtidas, e discute as limitações e dificuldades que podem surgir no acesso a registros de comunicação. Além disso, o texto aborda a questão da legitimidade do uso da lei de dados para defesa criminal, alinhando-se a uma visão de mudança de mentalidade em relação à prova digital como uma ferramenta de defesa acessível. Em conclusão, propõe um método prático em quatro etapas para a utilização eficiente dos dados digitais em prol da defesa.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "Autodefesa informacional: a testemunha que ninguém arrola" por Rafaela Azevedo de Otero e Maíra Fernandes.

  • Geofence warrant: Discutido como um mandado que coleta dados de localização de dispositivos próximos ao local de um crime e como isso pode levar a suspeições infundadas.
  • Autodefesa informacional: Conceito de que o investigado pode usar seus próprios dados para se defender, sem precisar de autorização judicial, uma vez que é o titular dos dados.
  • Direitos previstos na LGPD: Apresentação dos artigos da Lei Geral de Proteção de Dados que garantem ao titular o acesso aos seus dados pessoais armazenados por empresas.
  • Obtenção de dados sem autorização judicial: Como acessar dados das plataformas que pertencem ao investigado, sem a necessidade de um juiz, utilizando a autodefesa informacional.
  • Informações que a autodefesa obtém: Detalhes sobre o que os dados podem revelar, como localização, comparativo com acervo estatal e quem teve acesso aos dados do investigado.
  • Desafios ao acessar dados: A resistência das operadoras de telefonia em fornecer dados e soluções para contornar essas dificuldades, incluindo o uso de habeas data.
  • Preservação e integridade dos dados: Importância de manter registros adequados ao lidar com a autodefesa informacional, mantendo a integridade das evidências obtidas.
  • Limitações no acesso a dados: Discussão sobre as informações que não podem ser obtidas por conta de segredos judiciais e os prazos de guarda dos dados.
  • Exemplo de casos jurídicos: Citações de decisões judiciais que estabelecem precedentes sobre o acesso a dados e a utilização deles na defesa penal.
  • Conclusão e mudança de mentalidade: Chamado à mudança na abordagem das defesas, focando no acesso proativo às provas digitais antes da formalização de acusações.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

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Rafaela de OteroAdvogada Criminalista, Mestre em Direito Econômico pela UCAM. Especialista em Ciências Criminais pela PUC-RS. OCM advogados - Sao Paulo/SP.

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