A essência autoritária do artigo 385 do Código de Processo Penal
O artigo aborda a arguição de descumprimento de preceito fundamental proposta pela Anacrim ao STF, visando contestar a compatibilidade do artigo 385 do Código de Processo Penal com a Constituição. O autor analisa a origem autoritária do dispositivo, destacando sua origem no regime do Estado Novo e sua incompatibilidade com princípios do sistema acusatório contemporâneo, como o respeito à presunção de inocência e o papel do Ministério Público. O texto ressalta a necessidade de a norma ser decl...

O artigo aborda a arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) protocolada pela Anacrim junto ao STF, que visa a declaração de não receptividade do artigo 385 do Código de Processo Penal pela Constituição.
O artigo 385 permite que um juiz condene independentemente da opinião do Ministério Público, o que levanta questões sobre sua compatibilidade com princípios fundamentais do direito, como a presunção de inocência e a imparcialidade judicial. A análise do autor explora a origem autoritária do CPP de 1941, concebido durante o regime do Estado Novo de Getúlio Vargas, e suas implicações históricas com práticas persecutórias, como a colaboração com a Gestapo. O texto discorre sobre como a estrutura do CPP, inspirado em modelos autoritários, ainda preserva dispositivos que contradizem os pósulates do sistema acusatório, estabelecendo a primazia da acusação e limitando o papel do judiciário.
O autor argumenta que a manutenção do artigo 385 é contrária ao novo paradigma democrático estabelecido pela Constituição de 1988 e reclama a necessidade de sua revogação para assegurar direitos fundamentais e a justiça processual. Além disso, o artigo discute as características do processo penal inquisitorial vigente no Brasil e a conivência do Judiciário em ultrapassar limites impostos pela falta de um pedido de condenação do Ministério Público, o que poderia tornar o sistema processual mais justo e equitativo.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "A essência autoritária do artigo 385 do Código de Processo Penal" de Paulo Thiago Fernandes Dias.
- Contexto Histórico do artigo 385 do CPP: O artigo remonta ao ano de 1941, durante o regime autoritário do Estado Novo sob Getúlio Vargas.
- Manutenção da Validade: Debate sobre a validade do artigo 385 do CPP e sua aplicação pelo Judiciário em casos penais.
- Características Autoritárias do CPP: O Código de Processo Penal foi idealizado por juristas autoritários, influenciado pelo Direito Processual Penal Fascista.
- Incompatibilidade com a Constituição: O artigo 385 do CPP contradiz princípios constitucionais como a presunção de inocência e a inércia da jurisdição.
- Papel do Ministério Público: A função do MP na ação penal pública e sua importância na formulação da pretensão acusatória.
- Modelo Acusatório vs. Inquisitorial: Comparação entre o modelo acusatório vigente e o sistema inquisitorial aplicado desde a aprovação do CPP em 1941.
- Pedido de Absolvição: A importância do pedido de absolvição do Ministério Público e suas implicações no julgamento pelo Judiciário.
- Expectativas sobre a ADPF: A expectativa de que o STF reconheça a incompatibilidade do artigo 385 do CPP com a Constituição, buscando a revogação desse dispositivo.
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