Como usar o Kit de Fotos e Prints
Guia do Kit de Fotos e Prints: reduza a foto do celular para caber no limite do peticionamento e tarje rosto, placa e dado pessoal antes de juntar aos autos. A tarja apaga de verdade, e junto com ela some a cópia em miniatura que faz foto tarjada vazar. Explica por que registrar a origem na Custódia vem ANTES de tratar a imagem, o que a sugestão de rostos encontra e o que ela deixa passar, e o que fazer com foto de iPhone em HEIC. Roda dentro do navegador, sem a imagem sair do computador.
O que esta ferramenta faz
O Kit de Fotos e Prints responde ao momento em que a prova chegou pelo celular e precisa entrar no processo. A foto do machucado, o print da conversa, a imagem do documento que o cliente mandou no WhatsApp.
São duas ferramentas:
- Reduzir — a foto de celular sai com 8 MB e o sistema do tribunal recusa. Aqui ela cai para o tamanho que você indicar, mantendo a leitura. Vale para várias imagens de uma vez.
- Tarjar — rosto, placa, crachá, endereço, número de processo de terceiro. O que a LGPD cobra antes de juntar aos autos.
Tudo acontece dentro do seu navegador. Não existe upload: a imagem não é enviada para a plataforma nem para servidor nenhum, e nada fica guardado quando você fecha a aba. Para foto de vítima e de menor, essa é a diferença entre usar e não poder usar.
Antes de tudo: registre a origem primeiro
Toda foto carrega, por baixo do que se vê, a data, o local e o aparelho que a produziram. É esse conjunto de dados que prova quando e onde ela foi feita.
Tratar a imagem apaga esses dados. Não é uma escolha da ferramenta: o arquivo que sai daqui é um arquivo novo, montado a partir dos pixels, e os dados de origem não vêm junto. Vale para reduzir e vale para tarjar. Vale também para qualquer outro editor de imagem, aqui apenas está dito em voz alta.
Daí a ordem que preserva a prova:
- Registre a imagem original no Kit de Cadeia de Custódia, que é a ferramenta que lê e preserva esses dados.
- Guarde o original em lugar seguro.
- Depois reduza ou tarje a cópia que vai para os autos.
Invertida, a ordem não tem conserto: depois de tratar a imagem, não há mais o que registrar.
Reduzir para caber no limite
Arraste uma ou mais imagens na área de soltar. Duas escolhas:
- Tamanho máximo por imagem — o limite que o tribunal aceita, por arquivo. A conta é feita imagem a imagem, porque é assim que o sistema do tribunal mede.
- Lado maior — deixe em "manter" para só recomprimir, ou escolha um limite de pixels. Reduzir a dimensão preserva a leitura melhor do que forçar a compressão, e é o caminho quando o alvo não é alcançado.
O tamanho que aparece na tela é o do arquivo gerado, não uma estimativa: é esse número que o sistema do tribunal vai ver.
Quando o alvo não é alcançável sem comprometer a legibilidade, a redução para antes e a tela diz o tamanho que deu, marcando a imagem que ficou acima. O encaminhamento é diminuir o lado maior.
Quando não há o que reduzir — imagem pequena, ou print com transparência, que sai em PNG e não tem ajuste de qualidade —, a tela diz isso e recomenda o original. Ele serve igual e ainda tem os dados de origem.
Tarjar: a área é apagada, não coberta
Abra a imagem e arraste sobre o que precisa sumir. Cada retângulo marcado aparece sobre a foto, com um botão para tirá-lo. Desfazer remove o último; Tirar todas limpa a marcação.
Ao clicar em Tarjar e baixar, a imagem é reconstruída com os retângulos já preenchidos. O que estava ali não existe mais no arquivo: não há camada por cima, não há objeto para remover, e nenhum programa recupera o que foi tarjado.
A diferença importa. Marcar um retângulo preto num editor comum, ou usar a caneta de um leitor de PDF, costuma desenhar por cima — o conteúdo continua embaixo e reaparece com um clique de quem souber onde procurar.
A cópia escondida que faz foto tarjada vazar
Foto de celular guarda, dentro do próprio arquivo, uma cópia em miniatura dela mesma. Ela serve para o aparelho mostrar a galeria depressa, e quase ninguém sabe que existe.
Quando você desenha uma tarja por cima e salva, muitos programas não atualizam essa miniatura: ela continua sendo a imagem original, com o rosto que você acabou de cobrir. Quem abrir o arquivo com a ferramenta certa vê a versão sem tarja.
Aqui isso não acontece, e pelo mesmo motivo que os dados de origem somem: o arquivo de saída é novo, montado a partir do que está na tela. A miniatura antiga não é copiada porque não há nada para copiar.
A sugestão de rostos: ponto de partida, não conferência
O botão Sugerir rostos procura rostos na imagem e marca cada um com um retângulo. Na primeira vez ele avisa que precisa baixar cerca de 3 MB, uma vez só; depois fica guardado no navegador. O reconhecimento roda na sua máquina, e a imagem continua sem sair daí.
Confira sempre. A sugestão poupa trabalho, não substitui a sua leitura, e há três razões concretas para isso:
- Ela erra por omissão. Em retrato e em foto de uma ou duas pessoas, encontra bem. Em rosto pequeno ao fundo, de perfil, ou numa multidão, deixa passar — e passar despercebido é justamente o erro que custa caro.
- Boa parte do que precisa sumir não é rosto. Placa de veículo, crachá, endereço num print, número de processo de terceiro, CPF e assinatura num documento fotografado. Nada disso é procurado.
- A responsabilidade é de quem protocola. A tela nunca diz que todos os rostos foram encontrados, porque a ferramenta não tem como saber isso.
Por isso o contador mostra quantas áreas você marcou, somando as que aceitou da sugestão com as que desenhou.
Foto de iPhone: o formato HEIC
O iPhone grava em HEIC, um formato que o navegador não abre e que o processo eletrônico costuma recusar. Se a foto do seu cliente veio assim, há duas saídas, as duas no próprio aparelho:
- Em Ajustes → Câmera → Formatos, escolher Mais Compatível. Resolve para as fotos seguintes.
- Compartilhar a foto por e-mail, que converte para JPG na saída. Resolve para a foto que já existe.
O que esta ferramenta não faz
- Não melhora foto. Nitidez e ampliação por inteligência artificial inventam pixel que não estava lá, e imagem que virou prova não pode receber conteúdo inventado.
- Não lê nem edita os dados de origem. Essa é a pergunta do Kit de Cadeia de Custódia: se este arquivo é o que se diz que ele é.
- Não extrai as imagens de dentro de um PDF. Isso é o Kit PDF, onde o insumo é o documento dos autos e não a foto do celular.
- Não remove fundo e não recorta objeto.
- Não guarda nada. Ao fechar a aba, não resta cópia de arquivo nenhum. O botão Limpar tudo desta página tira da tela o que você abriu nesta visita.
Dúvidas comuns
A imagem é enviada para algum servidor?
Não. Todo o processamento acontece no seu navegador. A página inclusive funciona com a internet desconectada, depois de carregada.
Dá para recuperar o que foi tarjado?
Não, e é essa a intenção. A área marcada não existe no arquivo de saída. Se você precisar da imagem completa depois, use o original que guardou.
Por que a foto reduzida perde a data e o local?
Porque o arquivo é reconstruído a partir dos pixels, e esses dados não viajam junto. É o mesmo mecanismo que descarta a miniatura escondida. Registre a origem na Custódia antes de tratar a imagem.
Posso tarjar várias fotos de uma vez?
A tarja é uma imagem por vez, porque cada área marcada é uma decisão sua. A redução, essa aceita várias.
Quantas imagens dá para reduzir de uma vez?
Não há limite fixo. Elas são processadas uma a uma, e o progresso aparece na tela.
A ferramenta aceita print de tela?
Sim. Print costuma vir em PNG, e ele é aceito. Quando o print tem transparência, a redução o mantém em PNG para não trocar o fundo por preto, e a tela avisa que ali a redução rende menos.
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