Freud pode nos ajudar a entender o desejo de matar o inimigo?
O artigo aborda a relação entre o desejo de violência e o exercício do poder, analisando como Freud e Einstein nos ajudam a compreender essa dinâmica. O texto explora a perda de limites éticos na contemporaneidade, destacando a visão do Direito Penal do Inimigo e como o neoliberalismo trata os desviantes como custos a serem eliminados, refletindo a fascinação pela violência em sociedades sem instâncias de contenção moral.

O artigo aborda temas centrais na intersecção entre psicanálise e direito, explorando como as obras de Freud e a correspondência com Einstein podem elucidar o desejo humano de violência e o conceito de inimigo.
Discutem-se as consequências da modernidade sobre o Estado e a legalidade, onde o Estado, visto como um ente que deveria regular a violência, se torna incapaz de contê-la devido à influência do mercado neoliberal. A relação entre a eficiência e a ética é questionada, ressaltando que a busca desenfreada por sucesso pode levar à desumanização do indivíduo e à violação de direitos, estigmatizando seres vistos como custos para o sistema. O artigo também aborda a noção de "Direito Penal do Inimigo", que sustenta que a mera punição é insuficiente e a eliminação do inimigo é uma solução encontrada.
Comenta-se a transformação da Justiça, que passa a ser moldada por interesses corporativos com um desprezo pela vida dos que não produzem. Além disso, analisa-se o impacto do neoliberalismo nas interações sociais, onde a violência assume contornos desumanizadores, e a dificuldade de imposição de culpa sem uma "Lei Paterna" sólida é enfatizada. O texto finaliza com um alerta de Freud sobre a natureza agressiva inerente ao ser humano, evocando reflexões sobre a ética e a responsabilidade na convivência social e a persistente atração pela violência na sociedade moderna.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Freud pode nos ajudar a entender o desejo de matar o inimigo?" escrito por Alexandre Morais da Rosa.
- A interpelação entre Freud e Einstein: Reflexões sobre a ligação entre a violência, o exercício do poder e a proposta do Direito na resolução de conflitos humanos.
- Violência como fascinante: Análise da condição humana que atrai o indivíduo à violência, em contraste com a banalidade da vida cotidiana.
- Desvio e controle social: O papel do tédio e da criminologia cultural na compreensão do comportamento desviado e da violência institucionalizada.
- Direito Penal do Inimigo: Discussão sobre a insuficiência das punições e a lógica que permeia o desejo de eliminar o inimigo.
- Transformação das leis: Como as regras deixaram de ser feitas para o poder soberano e passaram a ser moldadas pelas corporações, tratando desviantes como custos do sistema.
- Violência no contexto do neoliberalismo: A nova lógica de mercado e a substituição da moral e dos limites simbólicos que o Estado representava.
- Identificação e coesão social: A diminuição da capacidade de identificação em um cenário onde o Estado é reduzido e não atua mais como mediador.
- A natureza agressiva do ser humano: Reflexão sobre a permanência das inclinações agressivas e as consequências éticas da violência na sociedade contemporânea.
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