

Artigos Conjur
Autopreservação da advocacia passa pela solidariedade “motoboyniana”
Artigo
Artigos dos experts no Conjur
Autopreservação da advocacia passa pela solidariedade “motoboyniana”
O artigo aborda a crise enfrentada pela advocacia criminal, destacando a necessidade de solidariedade entre os advogados em face das crescentes dificuldades e violações de direitos e prerrogativas. O autor, Mário de Oliveira Filho, critica a cultura de descredibilização da advocacia e a desigualdade de tratamento entre acusação e defesa, enfatizando que é vital que os profissionais se unam em defesa de suas prerrogativas, assim como fazem os motoboys em situações de adversidade. A chamada "solidariedade motoboyniana" é apresentada como um modelo a ser seguido para fortalecer a advocacia e a justiça em um Estado Democrático.
Artigo no Conjur
A cada dia mais dedos em riste apontam para a advocacia criminal para acusá-la de “defender bandido”, e assim, ser bandida também entre outras insanidades ignorantes.
Não bastasse isso o arrocho processual penal imposto por filtros para dificultar o exercício da ampla defesa se soma ao momento dos julgamentos sob a regência do “eu acho assim”, “eu entendo assim”, entre outras heresias de hermenêutica de livre tradução e interpretação.
Quando se fala dos direitos e das prerrogativas das carreira jurídicas, magistratura, Ministério Público e polícias, a patuleia se levanta em coro a defende-las, e até se opor contra qualquer lei buscando a punir o abuso de autoridade feito em nome delas ou com o respaldo delas.
Ah, mas quando se busca o respeito aos direitos e prerrogativas da advocacia, os mesmo se levantam em alto brado, nem tão varonil, a gritar que isso é coisa de advogado, a classe quer privilégios, quer ser diferente e receber tratamento especial.
Tempos duros de anoitecer prenunciado.
Ao se ignorar os direitos e prerrogativas da advocacia, principalmente no exercício da advocacia criminal, se está ignorando o direito da cidadania defendida pelos advogados em nome e defesa do Estado Democrático de Direito.
Não há equiparação de armas entre a advocacia criminal e o parquet, porque enquanto o advogado requer (não pede porque não é pedinte nem lato senso nem strito senso), a acusação ministerial goza de situação privilegiadíssima.
No Procedimento Investigatório Criminal (PIC) um inquérito tocado no gabinete do Ministério Público, ele é o investigador colhendo prova para a acusação. No inquérito policial em andamento na delegacia de polícia supervisiona o trabalho policial podendo nele interferir. Depois passa a ser o acusador na ação penal com as provas por ele colhidas e ou gerenciadas, ou no PIC ou no IP. E mais, exerce ainda o papel de fiscal da lei. Ufa!!! Haja fôlego para tantos direitos.
Nessa situação de flagrante e indisfarçável inferioridade, está o trabalho da advocacia criminal, advocacia tida constitucionalmente como indispensável à administração da justiça, exercendo munus publico em gabinete privado.
Nesse país de (m)eu Deus, parafraseando Lenio Streck em outro sensacional artigo para a ConJur, o desrespeito aos mais basilares direitos e prerrogativas da advocacia são comuns e corriqueiros nas varas criminais país a fora.
O pior que o aviltamento da advocacia que ocorre nos balcões dos fóruns, nas delegacias de polícia, nas salas de audiências é quase sempre presenciado por outros advogados. E qual a reação deles? Covarde e alienadamente dizem: “problema do colega não tenho nada com isso!”. Engano, eles têm sim. Esse desrespeito contra um advogado é contra todos os advogados.
Aí entra o Princípio da Solidariedade “Motoboyniana”, já falado pelo criminalista Luiz Flávio D’Urso, sem o uso do pomposo nome que agora eu batizo.
São Paulo tem mais de um milhão de motoboys circulando por toda a cidade.
Quando acontece um acidente com o colega de profissão, ao lado da moto e do motoqueiro caídos no chão, dezenas, centenas de outras motos vão estacionando para socorrer. Muitos, e quase sempre, querem meter a mão na cara do motorista do carro envolvido no acidente, tenha ele ou não culpa.
É a solidariedade “motoboyniana”, não importa se o colega de profissão, o motoqueiro, está certo ou errado, isso vai ser discutido entre eles… depois. No momento do problema todos estão irmanados na mesma dor, no mesmo problema que pode atingir a qualquer um deles. Hoje é ele, amanhã poderá comigo.
Essa conscientização de união e solidariedade falta na advocacia toda. É cada um por si…
É urgente a advocacia entender e enfrentar a violação aos direito e prerrogativas, como à pessoa do profissional que ali está em defesa do direito de alguém alcançado, justa ou injustamente, pela lei penal. É a voz da defesa que está em jogo diante do arbítrio e da violência.
Essa briga é nossa.
Importante ter a advocacia criminal esse sentimento de solidariedade “advogadoniano” e estacionar suas becas ao lado do colega atropelado pelo desrespeitador, pelo ofensor.
O papel primordial da OAB é defender com unhas e garras o livre exercício da advocacia, pouco importando uma sede bonita da entidade, com cadeira confortáveis, pouco importando serviços de concierge, porque sem direitos e prerrogativas respeitadas e defendidas, não se tem nada, o resto de nada vale ou tem serventia.
O respeito e a defesa da advocacia começa pelo próprio advogado e precisa contar com a solidariedade dos colegas de profissão.
Referências
Relacionados
Outros conteúdos desse assunto
Mais artigos
Outros conteúdos desse tipo
Mário Oliveira Filho
Mais conteúdos do expert
Acesso Completo!
Tenha acesso aos conteúdos e ferramentas exclusivas
Comunidade Criminal Player
Elabore sua melhor defesa com apoio dos maiores nomes do Direito Criminal!
Junte-se aos mais de 1.000 membros da maior comunidade digital de advocacia criminal no Brasil. Experimente o ecossistema que já transforma a prática de advogados em todo o país, com mais de 5.000 conteúdos estratégicos e ferramentas avançadas de IA.
Converse com IAs treinadas nos acervos de Aury Lopes Jr, Alexandre Morais da Rosa, Rodrigo Faucz, Gabriel Bulhões, Cristiano Maronna e outros gigantes da área. Explore jurisprudência do STJ com busca inteligente, análise de ANPP, depoimentos e muito mais. Tudo com base em fontes reais e verificadas.

Ferramentas de IA para estratégias defensivas avançadas
- IAs dos Experts: Consulte as estratégias de Aury Lopes Jr, Alexandre Morais da Rosa, Rodrigo Faucz, Gabriel Bulhões e outros grandes nomes por meio de IAs treinadas em seus acervos
- IAs de Jurisprudência: Busque precedentes com IAs semânticas em uma base exclusiva com mais de 200 mil acórdãos do STJ, filtrados por ministro relator ou tema
- Ferramentas para criminalistas: Use IA para aplicar IRAC em decisões, interpretar depoimentos com CBCA e avaliar ANPP com precisão e rapidez

Por que essas ferramentas da Criminal Player são diferentes?
- GPT-4 com curadoria jurídica: Utilizamos IA de última geração, ajustada para respostas precisas, estratégicas e alinhadas à prática penal
- Fontes verificadas e linkadas: Sempre que um precedente é citado, mostramos o link direto para a decisão original no site do tribunal. Transparência total, sem risco de alucinações
- Base de conhecimento fechada: A IA responde apenas com conteúdos selecionados da Criminal Player, garantindo fidelidade à metodologia dos nossos especialistas
- Respostas com visão estratégica: As interações são treinadas para seguir o raciocínio dos experts e adaptar-se à realidade do caso
- Fácil de usar, rápido de aplicar: Acesso prático, linguagem clara e sem necessidade de dominar técnicas complexas de IA

Mais de 5.000 conteúdos para transformar sua atuação!
- Curso Teoria dos Jogos e Processo Penal Estratégico: Com Alexandre Morais da Rosa e essencial para quem busca estratégia aplicada no processo penal
- Curso Defesa em Alta Performance: Conteúdo do projeto Defesa Solidária, agora exclusivo na Criminal Player
- Aulas ao vivo e gravadas toda semana: Com os maiores nomes do Direito Criminal e Processo Penal
- Acervo com 140+ Experts: Aulas, artigos, vídeos, indicações de livros e materiais para todas as fases da defesa
- IA de Conteúdos: Acesso a todo o acervo e sugestão de conteúdos relevantes para a sua necessidade

A força da maior comunidade digital para criminalistas
- Ambiente de apoio real: Conecte-se com colegas em fóruns e grupos no WhatsApp para discutir casos, compartilhar estratégias e trocar experiências em tempo real
- Eventos presenciais exclusivos: Participe de imersões, congressos e experiências ao lado de Aury Lopes Jr, Alexandre Morais da Rosa e outros grandes nomes do Direito
- Benefícios para membros: Assinantes têm acesso antecipado, descontos e vantagens exclusivas nos eventos da comunidade
Escolha o plano ideal para evoluir na prática real do Direito Criminal!
IA aplicada ao Processo Penal, comunidade qualificada e formação estratégica para quem atua todos os dias.












