Prostituição adolescente e a repulsa pelo direito à sexualidade adolescente
O artigo aborda a discrepância entre a legislação que permite a exploração da sexualidade adolescente e a criminalização da prostituição infantil. A autora, Maíra Marchi Gomes, discute como a sociedade e o Direito tratam o adolescente como vulnerável, enquanto simultaneamente reconhecem sua capacidade de exercer sua sexualidade, gerando contradições sobre a sua autonomia e escolhas. A reflexão aponta para a necessidade de compreender a sexualidade na adolescência de forma mais ampla, sem redu...

O artigo aborda a complexa reflexão sobre a prostituição adolescente e a resistência social e legal à sexualidade nessa faixa etária. A autora, Maíra Marchi Gomes, explora a contradição existente entre a permissão legal para o exercício da sexualidade a partir dos 14 anos, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e o tratamento que a legislação dá à prostituição infantil, destacando que, para configurar o crime de submissão à prostituição, não é necessário que o adolescente se oponha, refletindo uma visão de vulnerabilidade.
A discussão se aprofunda nas dificuldades enfrentadas pelos adolescentes ao lidarem com sua sexualidade em uma sociedade que, ao mesmo tempo, exige independência e os restringe a um espaço de "moratória", onde devem esperar para se tornarem adultos. A autora também menciona a visão de Calligaris sobre a adolescência e a maneira como a sexualidade é tratada, revelando a dificuldade em aceitar o corpo do adolescente como objeto de desejo e a recusa da adultização dessa fase.
Além disso, questiona a hipocrisia das normas sociais, que condenam a prostituição em troca de dinheiro enquanto aceitam outras formas de troca, desafiando as definições sobre moralidade e trabalho. Ao final, sugere que a prostituição adolescente pode ser vista como uma escolha de trabalho, semelhante a muitos outros empregos que os adolescentes já exercem, propondo uma reavaliação crítica da forma como a sociedade percebe e lida com a sexualidade e o trabalho dos jovens.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Prostituição adolescente e a repulsa pelo direito à sexualidade adolescente" por Maíra Marchi Gomes.
- Contradição do Direito: Análise da permissão da sexualidade para adolescentes a partir dos 14 anos e a criminalização da prostituição infantil no Brasil.
- Artigo 244-A do ECA: Discussão sobre a presunção de hipossuficiência volitiva das crianças e adolescentes em casos de prostituição e exploração sexual.
- Dificuldade de aceitação da sexualidade adolescente: Reflexão sobre a contradição entre a expectativa social de que adolescentes explorem sua sexualidade e a repulsa a essa prática quando envolve dinheiro.
- Paradoxo da independência: Exame das tensões sociais envolvendo o desejo de independência dos adolescentes e a manutenção da infância, resultando em uma "moratória" na transição para a adultez.
- Valorização social do corpo: Consideração sobre o uso do corpo pelos adolescentes e a relação com a desejabilidade social e o status de adulto.
- Impasse da sexualidade e do desejo: Discussão sobre a exclusão do corpo adolescente como objeto de desejo e como isso afeta sua vivência e identificação na sociedade.
- Prostituição e escolha: Reflexão sobre a prostituição como uma forma de trabalho que pode ser tão válida quanto qualquer outra atividade e a necessidade de considerar a opção consciente do adolescente.
- Questões psíquicas: Indagação sobre os conflitos psíquicos envolvidos nas escolhas sexuais e profissionais de adolescentes e a natureza intrínseca das relações humanas como trocas.
- Juízo de valor e normalização: Argumento sobre a necessidade de desestigmatizar a prostituição adolescente e compreender as relações engendradas pelo desejo de sexo e dinheiro como parte da experiência humana.
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