Onde erramos nas ciências criminais?
O artigo aborda as falhas na abordagem das ciências criminais e a crescente insegurança pública, questionando a eficácia do modelo atual centrado na dogmática jurídico-penal. O autor, Gabriel Bulhões, analisa a fragmentação do saber e a necessidade de uma integração entre as disciplinas para enfrentar os complexos problemas sociais relacionados ao crime, ressaltando a urgência de resgatar uma visão holística e interconectada dos fenômenos criminais.

O artigo aborda a crítica à formação e à aplicação das ciências criminais, começando pela análise do estado atual da insegurança pública, mesmo com investimentos governamentais, e as falhas no encarceramento como solução para a criminalidade.
Discute o apelo por punições severas e as condições subhumanas dos presídios, questionando a eficácia e a relevância das propostas acadêmicas diante do caos. A compreensão da evolução histórica das ciências criminais é explorada, desde a racionalidade do Iluminismo e os autores clássicos, até a fragmentação provocada pelo positivismo e a autonomia da Criminologia. O texto enfatiza a predominância da dogmática jurídico-penal na formação do Direito Penal, elevando-o a um estado isolado que ignora a complexidade dos fenômenos sociais. A necessidade de integração entre as disciplinas de ciências criminais é ressaltada, criticando a divisão que impossibilita uma visão holística do sistema penal e suas violências.
Também é discutida a dissociação entre o Processo Penal e as ciências criminais, com ressalvas a laços inadequados entre procedimentos civis e penais, o que distorce a função do direito penal e compromete garantias fundamentais dos acusados. O artigo conclui chamando a atenção para as distorções ocasionadas por essa abordagem acrítica e sugere a exploração contínua dessas questões.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Onde erramos nas ciências criminais?" por Gabriel Bulhões.
- Crise na abordagem do crime: Reflexão sobre a ineficiência da abordagem atual do fenômeno criminal e a crescente insegurança pública, apesar dos investimentos realizados.
- Incarceramento como solução? Questionamento sobre a ideia de que o aumento do encarceramento é uma resposta eficaz para a criminalidade.
- Violência e punições desumanas: Discussão sobre a aceitação social de punições severas e as condições degradantes dos presídios no século XXI.
- Papel da Academia: Crítica à incapacidade da academia em oferecer soluções viáveis para o caos das ciências criminais.
- História da ciência criminal: Análise da evolução histórica das ciências criminais e a transição do modelo universalista para um modelo fragmentado e departamentalizado.
- Modelos teóricos em ciências criminais: Estudo das influências de autores clássicos como Beccaria e a transição para a Criminologia Positivista.
- Dogmática penal e suas limitações: Avaliação do domínio da dogmática penal sobre outras áreas do saber e as consequências disso para a compreensão dos fenômenos sociais complexos.
- Fragmentação do conhecimento: Crítica à compartimentalização das ciências, que dificulta a compreensão global das questões penais.
- Ruptura entre Processo Penal e Ciências Criminais: Exploração do distanciamento do Processo Penal das ciências criminais e as implicações disso.
- Distorções na prática processual: Análise das confusões entre as práticas do Direito Penal e do Processo Civil, e seus efeitos nocivos sobre os direitos dos acusados.
- Colonização do Processo Penal: Discussão sobre como a influência do Direito Processual Civil gera distorções na aplicação do Processo Penal.
Autores na comunidade
Sobre os experts
Professores e especialistas que conduziram este conteúdo
Explore
Indicações relacionadas a este conteúdo










Não perca este conteúdo
Assine a Criminal Player e tenha acesso imediato a esta aula, mais de 4.900 conteúdos, ferramentas de IA e a maior comunidade de advocacia criminal do Brasil.


