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Artigos Empório do Direito – O sol na cabeça

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O sol na cabeça

O artigo aborda as primeiras impressões de Fernanda Mambrini Rudolfo sobre a obra "O Sol na Cabeça", de Geovani Martins, que explora a infância e adolescência de jovens em comunidades vulneráveis. A autora destaca como os contos retratam a realidade social, incluindo violência e preconceito, e a importância de obras literárias e musicais, como as do Racionais MC's, na conscientização sobre desigualdade e racismo no Brasil. A leitura desses trabalhos é apresentada como um passo essencial para ...

Fernanda Mambrini Rudolfo
27 mai. 2018 14 acessos
O sol na cabeça

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O artigo aborda as primeiras impressões de Fernanda Mambrini Rudolfo sobre a obra "O Sol na Cabeça", de Geovani Martins, que explora a infância e adolescência de jovens em comunidades vulneráveis. A autora destaca como os contos retratam a realidade social, incluindo violência e preconceito, e a importância de obras literárias e musicais, como as do Racionais MC's, na conscientização sobre desigualdade e racismo no Brasil. A leitura desses trabalhos é apresentada como um passo essencial para a mudança social e a compreensão de realidades diversas.

Publicado no Empório do Direito

Comecei há pouco a ler a obra “O Sol na Cabeça”, de Geovani Martins, e resolvi compartilhar minhas primeiras impressões a respeito desse que tem se mostrado o mais novo fenômeno literário brasileiro.

Por meio de treze contos, são narradas a infância e a adolescência de moradores de comunidades marcadas pela vulnerabilidade social, conhecidas como favelas. Certamente, não passam longe das histórias a violência e o preconceito.

O autor consegue, passando de uma escrita que reproduz a oralidade daqueles cuja vida narra para o uso mais escorreito do vernáculo, demonstrar a qualidade de sua redação, mas também a realidade vivida pelos moradores das favelas. Quem lê a obra não encontra apenas personagens interessantes e histórias bem articuladas, mas um cenário político e social que deve ser mais bem compreendido também por quem não enfrenta as dificuldades inerentes à hipossuficiência econômica.

Esta semana foi divulgada a lista das obras de leitura obrigatória para o vestibular da UNICAMP, um dos mais tradicionais do país. Dentre elas, encontra-se o álbum “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MC´s, na categoria “Poesia”. Na primeira vez em que um disco é recomendado para a prova, possui letras que tratam justamente de jovens da periferia, falando também sobre desigualdade social e racismo. Mais uma demonstração, embora ainda muito tímida, de que precisamos conscientizar a população a respeito da realidade brasileira.

Enquanto o famigerado “cidadão de bem” conhecer apenas o seu mundinho e achar que os problemas da sociedade se restringem às suas dificuldades, padeceremos dos mesmos males, reproduzindo a desigualdade e perpetuando a violência. É necessário destruir os altos muros que buscam conter a periferia e, evidentemente, não serão um livro e um álbum os exclusivos responsáveis por essa derrubada. Mas podem, sim, caracterizar um primeiro passo. Podem significar o início da conscientização de uma geração que só conhece o mundo por redes sociais e, talvez, ser o começo de uma grande mudança.

Imagem Ilustrativa do Post: Al atardecer // Foto de: Vicky Ponce // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/vickyponce/16596615744

Licença de uso: https://creativecommons.org/publicdomain/zero/1.0/

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Fernanda Mambrini RudolfoDefensora Pública do Estado de Santa Catarina desde 2013, com atuação especialmente junto ao Tribunal do Júri. Bacharela, Mestra e Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora Científica do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento da Defensoria Pública.

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