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Artigos Empório do Direito – Defensorarte – por fernanda mambrini rudolfo

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Defensorarte – por fernanda mambrini rudolfo

O artigo aborda a importância da Defensoria Pública como um instrumento essencial para a cidadania e transformação social, destacando a atuação dos defensores públicos como uma arte que vai além da simples representação legal. Fernanda Mambrini Rudolfo reflete sobre os desafios enfrentados na defesa de indivíduos em situações vulneráveis, enfatizando que defensorar envolve um profundo compromisso com a dignidade humana e a solução de problemas sociais. A autora destaca que ser defensor públic...

Fernanda Mambrini Rudolfo
19 mar. 2017 8 acessos
Defensorarte – por fernanda mambrini rudolfo

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O artigo aborda a importância da Defensoria Pública como um instrumento essencial para a cidadania e transformação social, destacando a atuação dos defensores públicos como uma arte que vai além da simples representação legal. Fernanda Mambrini Rudolfo reflete sobre os desafios enfrentados na defesa de indivíduos em situações vulneráveis, enfatizando que defensorar envolve um profundo compromisso com a dignidade humana e a solução de problemas sociais. A autora destaca que ser defensor público é um trabalho que exige empatia, envolvimento comunitário e a busca constante por justiça.

Publicado no Empório do Direito

Por várias vezes já escrevi sobre defensorar. Sobre as dores e as alegrias de ser parte não de uma instituição, mas de uma sociedade cuja maioria dos integrantes tanto carece de atenção, seja ou não estatal.

Esta semana circulou uma decisão, que desejava profundamente não fosse verdadeira, em que se determinava a prisão do réu caso não contratasse advogado para defendê-lo em determinado processo criminal. Sem adentrar no absurdo do seu teor, o que me parece bastante óbvio, passei a refletir, como frequentemente faço, sobre a atividade d@ Defensor@ Públic@, profissional ainda inexistente em muitas unidades jurisdicionais do Brasil.

É frequente que se afirme ser @ Defensor@ Públic@ “advogad@ do Estado” ou “advogad@ para quem não pode pagar”. Vai muito além disso: a Defensoria Pública é um instrumento de concretização da cidadania; Defensor@s Públic@s são agentes de transformação da sociedade. A existência da instituição em determinada Comarca é capaz de evitar a decretação de uma prisão simplesmente pela ausência de defesa técnica – por mais esdrúxulo que isso se afigure. Defensorar é conferir dignidade a quem nunca se sentiu cidadão, a quem não sabe o que é integrar a sociedade. É muito mais do que ingressar com uma ação visando ao acesso à moradia – é verdadeiramente acolher um morador de rua. É mais do que fazer uma defesa em um processo criminal – é defender uma vida, cuja liberdade está em risco. E a vida não se resume a um processo. Por isso, defensorar ultrapassa o simples ajuizamento de ações, pois visa à solução dos problemas, à transformação de vidas. Defensorar é uma arte. Defensorarte.

É evidente que é possível isolar-se em um gabinete, assinar umas petições e comparecer a algumas audiências. Mas isso é fazer jus às denominações supra, absolutamente equivocadas. Isso não é ser Defensor@ Públic@. Defensorar é uma arte que envolve sair às ruas, conhecer a realidade da sua comunidade, ser finalmente a mão estatal que afaga enquanto a que bate sempre esteve tão presente. Defensorar é se desdobrar para conciliar pautas de audiência dada a ausência de profissionais em número suficiente; é peticionar de madrugada porque é o único horário que sobra; é xingar o sistema de processo digital porque está em manutenção de madrugada. Defensorar é saber o que o assistido quer sem que ele diga uma palavra, é entender mensagens quase ilegíveis escritas nos mais variados tipos de penal, é receber desenhos e poesias junto com essas mensagens, é dar e receber um abraço apertado. Defensorar é uma arte. Tenho orgulho de dizer que sou artista.

Imagem Ilustrativa do Post: Mês da Dança // Foto de: VIVADANÇA Festival Internacional // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/vivadancafestival/14642245653

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Fernanda Mambrini RudolfoDefensora Pública do Estado de Santa Catarina desde 2013, com atuação especialmente junto ao Tribunal do Júri. Bacharela, Mestra e Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora Científica do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento da Defensoria Pública.

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