Indeferimentos de prisão domiciliar devem ser revistos após nova lei
O artigo aborda a necessidade de revisão dos indeferimentos de prisão domiciliar, ressaltando que a Defensoria Pública e o Coletivo de Advogados em Direitos Humanos questionam decisões judiciais que muitas vezes desconsideram o caráter objetivo do Código de Processo Penal. As autoras destacam a importância de garantir os direitos das mulheres encarceradas, especialmente gestantes e mães, e enfatizam que a recente legislação e decisão do Supremo Tribunal Federal buscam assegurar a substituição...

O artigo aborda questões relevantes sobre a concessão de prisão domiciliar e os desafios enfrentados por mulheres no sistema prisional brasileiro.
Primeiro, discute a atual seletividade judiciária, onde as solicitações de substituição de prisão preventiva por prisão domiciliar são indeferidas com base em critérios subjetivos, desconsiderando as condições objetivas estabelecidas pelo Código de Processo Penal. Em seguida, critica as precárias condições das unidades prisionais, ressaltadas em decisões como a ADPF 347, que caracterizam o tratamento dessas mulheres como desumano e cruel. O texto também menciona a atuação da Defensoria Pública do Ceará na proteção dos direitos humanos e no acesso à justiça para grupos vulneráveis. O Supremo Tribunal Federal (STF) é destacado por ter reconhecido, em uma decisão recentemente proferida, a possibilidade de um Habeas Corpus coletivo para mulheres, o que implica em uma mudança significativa na interpretação das leis sobre prisão domiciliar, mas evidencia ainda a resistência do Judiciário em aplicar essa decisão.
O artigo analisa também mudanças legislativas trazidas pela Lei 13.769/18, que busca assegurar o direito à prisão domiciliar para mães e gestantes, além de propor melhorias para agilidade e efetividade na concessão desse direito. Por fim, enfatiza a importância de políticas públicas que considerem as especificidades do encarceramento feminino, defendendo uma abordagem mais humana e efetiva, que promova não apenas a proteção das mães, mas também o bem-estar de seus filhos e da sociedade como um todo.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Tribuna da Defensoria: Indeferimentos de prisão domiciliar devem ser revistos", por Gina Kerly Pontes Moura e Maria Noêmia Pereira Landim.
- Fundamentação Legal: Discussão sobre a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar conforme o art. 318 do CPP, especialmente após o Marco Legal da Primeira Infância.
- Condições das Unidades Prisionais: Críticas a condições desumanas nas prisões, especialmente para mulheres, e a seletividade do sistema penal que afeta as camadas mais pobres.
- Atuação da Defensoria Pública: Ingresso da DPCE como custos vulnerabilis, visando promover os direitos humanos e o acesso à justiça para grupos vulneráveis.
- Decisão do STF: Concessão parcial de habeas corpus para mulheres, incluindo todas que se enquadram nas condições, com exceções específicas.
- Obstáculos à Concessão da Prisão Domiciliar: Identificação de entraves judiciais, como a exigência de certidões de nascimento e demora na apreciação dos pedidos.
- Impacto da Nova Lei (13.769/18): Estabelecimento de critérios objetivos para a substituição da prisão preventiva por domiciliar, incluindo mudanças significativas na interpretação da lei.
- Arbitrariedade nas Decisões Judiciais: Análise das justificativas insuficientes utilizadas pelo Judiciário para indeferir pedidos de prisão domiciliar, desconsiderando o novo marco legal.
- Propostas para Melhorias: Sugestões para acelerar a concessão de prisões domiciliares, como prazos para análise e uso de tecnologias de informação.
- Direitos das Mães nas Prisões: Necessidade de flexibilização das prisões domiciliares para que mães possam atender necessidades de saúde e educação dos filhos.
- Importância da Decisão do HC 143.641: Reconhecimento do habeas corpus como mecanismo válido para abranger uma coletividade sujeita a constrangimentos ilegais.
- Reflexões sobre Políticas Públicas: Necessidade de programas para capacitação e atividade econômica de mulheres em condições prisionais.
- Ação do Judiciário para Mudanças: Apelo para uma postura ativa do Judiciário em questões prisionais, especialmente relacionadas a gênero e maternidade.
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