Repensando a validade das coleta dos backups oriundos de nuvens nas investigações brasileiras
O artigo aborda a problemática da coleta de dados em nuvem nas investigações brasileiras, destacando a necessidade de assegurar a integridade e a cadeia de custódia das provas digitais. Os autores argumentam que as práticas atuais, que permitem que funcionários de empresas de tecnologia realizem coletas sem metodologia forense adequada, comprometem a autenticidade dos dados. A proposta incluiu a necessidade de que peritos judicialmente autorizados realizem a coleta, garantindo que as evidênci...

O artigo aborda a validade da coleta de backups oriundos de nuvens nas investigações brasileiras, evidenciando a inadequação das metodologias utilizadas para tal coleta.
Primeiramente, é discutida a importância da preservação da cadeia de custódia das provas digitais, comparando-a a um caso de homicídio fictício e destacando que a coleta deve ser realizada por peritos especializados, garantindo a integridade dos vestígios. O texto também salienta a falta de análise forense adequada ao considerar dados obtidos via links expiráveis enviados por empresas de tecnologia, além dos riscos de contaminação ou adulteração dos dados durante o processo de coleta. Em seguida, são apresentados problemas relacionados à ausência de duplicação forense, onde a polícia assume que os dados enviados são íntegros sem a devida comprovação.
Além disso, menciona-se a necessidade de metodologias que garantam a autenticidade e segurança das provas digitais de acordo com normas internacionais, como a norma ISO/IEC 27037. O estudo enfatiza a importância do acesso remoto controlado e de ferramentas apropriadas para a coleta de dados em nuvem, propondo soluções que respeitem a integridade dos dados e a legalidade no processo de investigação criminal. Por fim, discute-se a consequência da quebra da cadeia de custódia, que pode resultar em provas ilícitas, sendo estas inadmissíveis no processo judicial.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Repensando a validade das coletas dos backups oriundos de nuvens nas investigações brasileiras" por Aury Lopes Jr., Vitor Paczek Machado e Wanderson Moreira Castilho.
- Analogia com a cena do crime: Comparação entre a coleta de vestígios em um homicídio e a coleta de dados digitais em investigações, ressaltando a importância da metodologia de coleta.
- Credibilidade das coletas de dados: Discussão sobre a ausência de metodologia forense na coleta de dados por funcionários das big techs, comprometendo a integridade das provas digitais.
- Cadeia de custódia: Importância de questionar a cadeia de custódia e os métodos utilizados na coleta de dados; comparação entre a coleta policial e a coleta por terceiros.
- Duplicação forense: Necessidade de realização de duplicação forense antes de qualquer análise dos dados, garantindo a integridade e autenticidade das informações.
- Erros comuns em sistemas digitais: Abordagem sobre a possibilidade de erros e alterações não intencionais que podem afetar a integridade dos dados durante as investigações.
- melhores práticas internacionais: Referência às práticas recomendadas pela ISO/IEC 27037 e RFC 3227 para aquisição e preservação de evidências digitais.
- Metodologia de coleta em nuvem: Proposta de que a coleta deve ser realizada por peritos autorizados judicialmente, garantindo a preservação da cadeia de custódia e a integridade dos dados.
- Uso de softwares de coleta: Apresentação de ferramentas como Axiom para a coleta de dados em ambiente controlado e seguro, evitando falhas nas investigações.
- Consequências da quebra da cadeia de custódia: Discussão sobre as implicações legais de provas obtidas de forma ilícita e a inadmissibilidade dessas provas em processos judiciais.
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