O Brasil precisa de uma nova cultura na investigação criminal
O artigo aborda a necessidade de uma nova cultura na investigação criminal no Brasil, destacando a superação de uma mentalidade inquisitória para adotar uma abordagem dialética e ética. Propõe um modelo preventivo que minimize danos e focado na vida humana, alertando sobre os riscos do autoritarismo no processo investigativo e a importância de uma análise crítica e qualificada das ações estatais. Além disso, enfatiza que apenas mudanças no código ou nos profissionais não serão suficientes sem...

O artigo aborda a necessidade de uma nova cultura na investigação criminal no Brasil, enfatizando a superação de uma mentalidade inquisitória em favor de uma abordagem acusatória mais ética e dialética.
Os temas principais incluem: a premissa ética na investigação, que propõe que a atividade criminal deve ser fundamentada no desenvolvimento da vida humana em comunidade; a finalidade instrumental da investigação, enfatizando sua função como um filtro para a apuração de notícias de crimes e a limitação das "penas processuais"; o papel do investigador como um agente de poder responsável pela vida humana, sob risco do autoritarismo; a análise da violência como uma relação de mão dupla entre o desvio e a resposta estatal, sugerindo que a legalidade não deve ser o único parâmetro; a crítica à lógica eficientista, que prioriza resultados estatísticos em detrimento da legitimidade do processo; e a importância de uma fiscalização qualitativa das investigações para garantir o devido processo legal.
Por fim, o texto conclama um debate profundo sobre as bases ideológicas e estruturais do sistema de justiça criminal, reforçando que mudanças na legislação ou nos operadores do direito são insuficientes sem uma transformação cultural essencial.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "O Brasil precisa de uma nova cultura na investigação criminal", escrito por Leonardo Marcondes Machado.
- Superação da Mentalidade Inquisitória: A necessidade de mudar para um modelo de investigação preliminar que dialoga com uma filosofia processual penal acusatória, em detrimento do autoritarismo.
- Princípio Ético-Crítico: A investigação criminal deve ser fundamentada em um paradigma que priorize a vida humana e o convívio social, conforme a ética dusseliana.
- Finalidade Instrumental da Investigação: O papel da investigação como uma etapa preparatória essencial para justificar a abertura de processos penais e minimizar danos ao acusado.
- Poder e Responsabilidade do Investigador: A importância de que os investigadores estejam cientes de sua função em uma democracia e os riscos da potencialidade autoritária de seu papel.
- Impacto das "Penas da Investigação": A preocupação com o estigma de ser investigado e suas repercussões na vida dos indivíduos, exigindo cuidado e responsabilidade por parte do investigador.
- Violência e Reação Estatal: A análise da violência deve ir além da legalidade formal, considerando as consequências da criminalização e a seletividade do sistema penal.
- Lógica Eficientista e Resultados: A crítica à busca por produtividade nas investigações, que pode comprometer a aplicação da justiça e a busca pela verdade.
- Necessidade de Nova Cultura na Investigação: A conclusão de que somente mudanças superficiais não são suficientes; é necessária uma discussão mais profunda sobre ideologias, mentalidades e fundamentos do sistema de Justiça.
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