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Streck e Morais da Rosa: Lei conceituou coisa julgada e não se sabia

O artigo aborda a definição de coisa julgada conforme a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, destacando a simplicidade do conceito como uma decisão judicial irrecorrível. Os autores discutem a aplicação desse conceito nas esferas cível e penal, enfatizando a importância de sua compreensão entre juristas e legisladores para evitar interpretações equivocadas sobre a prisão antes do trânsito em julgado. A reflexão inclui críticas a parlamentares e professores que ignoram esse princ...

Alexandre Morais da Rosa
31 dez. 2019 6 acessos
Streck e Morais da Rosa: Lei conceituou coisa julgada e não se sabia

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O artigo aborda a definição de coisa julgada conforme a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, destacando a simplicidade do conceito como uma decisão judicial irrecorrível. Os autores discutem a aplicação desse conceito nas esferas cível e penal, enfatizando a importância de sua compreensão entre juristas e legisladores para evitar interpretações equivocadas sobre a prisão antes do trânsito em julgado. A reflexão inclui críticas a parlamentares e professores que ignoram esse princípio fundamental, sugerindo uma necessidade de retorno a clarezas jurídicas na prática.

Publicado no Conjur

Lembramos de Luis Alberto Warat e do livro clássico A Ciência Jurídica e seus Dois Maridos que está sendo relançado em 2020, em que se falava dos estilos de juristas, os chatos em sua literalidade e os descolados, esperando o novo acontecer, na pujança do momento.

Perguntávamos o que LAWarat falaria disso. Sobre a brisa de Garota de Ipanema ao mesmo tempo, talvez iluminados por Warat, lembramos da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (a famosa LINDB) e o conceito de coisa julgada.

Abrimos rapidamente o celular e estava lá:

“Art. 6º, § 3º – Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso”.

Bingamos. Quer algo mais simples do que o conceito de coisa julgada ali posta?

A sequência de nossa discussão pareceu um jogral, como se cada um estivesse com um banquinho e um violão:

Lenio: “— Se o artigo 5º da Constituição aponta que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado e o artigo 283 do CPP diz que ninguém será preso senão depois de trânsito em julgado, salvo cautelarmente”… Alexandre: “ — Se o artigo 5º da Constituição garante a coisa julgada, quando não caiba mais recurso”… Lenio: “— Se também a Lei de Execução Penal exige decisão condenatória”… Alexandre: “— Nem nós, nem o Supremo podem inventar a roda (coisa julgada)”.

Pena se cumpre após coisa julgada. Se a coisa (culpa) não foi definitivamente julgada, porque cabe recurso, há coisa não julgada, na qual cabe prisão cautelar e não definitiva. No cível, em que os direitos são disponíveis, há requisitos para execução antecipada. Em todos os casos, os processualistas sublinham a necessidade da reversibilidade do mundo da vida. Mas no processo penal, não se reverte liberdade porque a linha do tempo segue para o futuro.

Entre coisas julgadas e não julgadas, argumentos os mais carnavalizados, ao contrário do estilo de Warat, pedimos mais um suco funcional porque a nossa idade não permite mais os arroubos juvenis. Mas podemos dizer que temos vergonha de quem sequer sabe da existência do artigo 6º, § 3º da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro e decide conceituar coisa julgada em votos aleatórios à legalidade brasileira (assim como parlamentares — e até professores de Direito — redefinindo e reescrevendo, à revelia de gente como Liebman, o conceito de coisa julgada).

E concluímos:

Lenio: “— De que modo, então, essa gente quer fazer emendas e projetos mudando o nome das coisas?” Alexandre: “— Se coisa julgada é, mesmo, a decisão da qual não caiba mais recurso, então como será possível dizer que a prisão poderá ser feita antes de não caber mais recurso?” E, em coro: “— Os parlamentares e os defensores da prisão antes do trânsito em julgado (fora da hipótese de cautelar, como consta no artigo 283 do CPP) deveriam ler a LINDB. Afinal, ela vale para algumas coisas e não vale para outras? E deveriam também ler Shakespeare, Romeu e Julieta: O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos rosa, mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem.

E saímos, como dois flanêurs… E pensando em O Nome da Rosa. Em Eco. E pensando em Gadamer. O nome e as coisas. Enfim…

Talvez o perfume da rosa seja como uma cláusula pétrea. Podem trocar o nome, mas…! Talvez coisa julgada seja uma coisa simples: é decisão da qual não cabe mais recurso.

Eureka!

E Feliz 2020! Porque 2019 já se tornou coisa julgada.

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)

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