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Artigos Conjur – As fronteiras do dever de comunicação do advogado em matéria de lavagem

ARTIGO

As fronteiras do dever de comunicação do advogado em matéria de lavagem

O artigo aborda o papel dos advogados na prevenção à lavagem de dinheiro, destacando a necessidade de regulamentação das obrigações profissionais no Brasil, conforme recomendações internacionais. Os autores discutem a tensão entre o sigilo profissional, garantido pela Constituição, e a obrigação de comunicação de operações suspeitas, propondo que essa distinção deve considerar a natureza da atividade exercida pelo advogado. Assim, reconhecendo que o sigilo é essencial para a defesa, o texto s...

André Callegari
06 nov. 2025
As fronteiras do dever de comunicação do advogado em matéria de lavagem

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Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a complexa relação entre o dever de comunicação dos advogados e a prevenção à lavagem de dinheiro, destacando o papel dos profissionais jurídicos na mitigação desse delito.

Inicialmente, discute-se a recomendação da ONU para que o Brasil regulamente as obrigações dos advogados, alinhando-se a padrões internacionais, dado que as legislações locais ainda deixam a advocacia em um “limbo normativo”. O texto ressalta que, embora a legislação brasileira abranja advogados como sujeitos obrigados a comunicar operações suspeitas, essa obrigação deve ser compatível com o sigilo profissional, garantido pela Constituição. A análise se aprofunda em um caso do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que estabeleceu limites para o dever de comunicação, especialmente na distinção entre a advocacia atuando em sua função essencial e como gestor ou intermediário em operações financeiras.

A questão do sigilo profissional é examinada em profundidade, diferenciando as atividades de defesa e assessoramento jurídico daquelas de natureza econômica, levando à conclusão de que apenas condutas associadas à lavagem de dinheiro e que extrapolam o exercício legítimo da profissão podem ser sujeitas a essa obrigação. O artigo também aborda a incerteza gerada pela falta de regulação no Brasil, que pode impactar a credibilidade do país em avaliações internacionais, e reafirma a necessidade de equilibrar a proteção do sigilo profissional com a responsabilidade ética na luta contra a lavagem de dinheiro.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "As fronteiras do dever de comunicação do advogado em matéria de lavagem" por André Luís Callegari e Thainá Carício.

  • Relatório da ONU sobre lavagem de dinheiro: O Brasil recebeu recomendações para regulamentar as obrigações dos advogados em relação à prevenção da lavagem de dinheiro, semelhante a outras jurisdições europeias.
  • Regulamentação insuficiente no Brasil: A legislação brasileira, embora abrangente, não inclui os advogados nas obrigações de comunicação, resultando em uma falta de clareza normativa.
  • Papel do advogado na prevenção: Desde a década de 2000, advogados são considerados agentes estratégicos na prevenção do branqueamento de capitais pelas organizações internacionais.
  • Confidencialidade e sigilo profissional: A proteção da ampla defesa e da confidencialidade é fundamental, levando à questão de até onde o advogado pode ser compelido a comunicar operações suspeitas.
  • Decisão do TEDH: O Tribunal Europeu de Direitos Humanos decidiu que a obrigação de comunicar operações suspeitas é legítima, mas deve ser restrita a atividades não jurisdicionais.
  • Diferenciação de atividades: Uma distinção entre funções de defesa e representação jurídica, e atividades de gestão ou intermediação financeira, é necessária para delimitar o dever de comunicação.
  • Sigilo profissional vs. dever de colaboração: O sigilo protege a defesa, enquanto ações de intermediação econômica podem estar sujeitas a deveres de comunicação.
  • Zona de incerteza: A falta de regulação específica cria incertezas que podem impactar a credibilidade do Brasil em avaliações internacionais.
  • Importância do critério objetivo: A necessidade de estabelecer critérios claros para compatibilizar a legislação preventiva com a proteção do sigilo profissional e a confiança na relação advogado-cliente.
  • Conciliação entre sigilo e legalidade: O sigilo profissional é um pilar essencial, mas não absoluto; deve coexistir com a responsabilidade ética e com as obrigações legais em matéria de prevenção à lavagem de dinheiro.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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André CallegariAdvogado Criminalista, professor titular do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP/Brasília), doutor em direito pela Universidad Autónoma de Madrid e com estudos pós-doutorais na mesma Universidade. É, ainda, doutor honoris causa pela Universidade Autónoma de Tlaxcala, México, e doutor honoris causa pelo Centro Universitário del Valle de Teotihuacan, também no México. Autor de diversos artigos e livros na área do Direito Penal.

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