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Artigos Migalhas – CTB: embriaguez ao volante e excesso de velocidade como indícios de culpa, não de dolo eventual

ARTIGO

CTB: embriaguez ao volante e excesso de velocidade como indícios de culpa, não de dolo eventual

O artigo aborda a interpretação da embriaguez ao volante e do excesso de velocidade como indícios de culpa em vez de dolo eventual em acidentes de trânsito com vítimas. Os autores, André Boiani Azevedo e Eric Ribeiro Piccelli, argumentam que, apesar de esses fatores sugerirem imprudência, não implicam na intenção de causar o resultado fatal, conforme a Teoria do Consentimento do Código Penal. Assim, reforçam que é imprescindível demonstrar a vontade do motorista em causar o dano, para a confi...

André Callegari
29 jul. 2009
CTB: embriaguez ao volante e excesso de velocidade como indícios de culpa, não de dolo eventual

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Publicado no Migalhas
Resumo do artigo

O artigo aborda a questão da embriaguez ao volante e o excesso de velocidade como indícios de culpa, ao invés de dolo eventual, no contexto de acidentes de trânsito com vítimas fatais.

Os autores, André Boiani Azevedo e Eric Ribeiro Piccelli, discutem a interpretação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e a forma como a embriaguez e a velocidade excessiva têm sido utilizadas para fundamentar a acusação de dolo eventual, que é um tipo de culpa onde o agente assume o risco de produzir o resultado. O texto critica essa prática, ressaltando que, segundo a Teoria do Consentimento, é necessário considerar tanto o elemento cognitivo (o conhecimento do agente sobre os perigos de sua conduta) quanto o volitivo (a vontade e a aceitação do risco de causar o resultado) para a caracterização do dolo eventual. Além disso, é mencionado que a presença desses dois indicadores (embriaguez e velocidade excessiva) não é suficiente para comprovar a intenção de causar dano, uma vez que a acusação deve demonstrar que o motorista tinha consciência do risco de causar um acidente.

O artigo também destaca o entendimento consolidado no Tribunal de Justiça de São Paulo e a posição da doutrina sobre a responsabilidade penal em casos de trânsito, enfatizando que a mera embriaguez e a velocidade excessiva não transformam automaticamente a conduta do motorista em dolosa, mas mantêm sua natureza culposa, conforme estabelecido pela legislação. Por fim, o artigo sugere que essa interpretação deve ser levada em conta não somente para o crime de lesão corporal, mas também para homicídios ocorridos no trânsito, a fim de garantir que a responsabilidade penal não seja exagerada sem a devida comprovação dos elementos subjetivos do dolo.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Migalhas.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais tópicos abordados no artigo "CTB: embriaguez ao volante e excesso de velocidade como indícios de culpa, não de dolo eventual" por André Boiani Azevedo e Eric Ribeiro Piccelli.

  • Contexto dos acidentes de trânsito: Discussão sobre a relação entre embriaguez, excesso de velocidade e a caracterização da culpa em acidentes com vítimas fatais.
  • Teoria do dolo eventual: Análise da dificuldade de conceituação do dolo eventual e sua distinção da culpa consciente, abordando as nuances dessa teoria na aplicação do Direito Penal.
  • Teoria do Consentimento: Explanação sobre a abordagem legislativa adotada em 1984 que considera os ângulos cognitivo e volitivo do dolo eventual.
  • Necessidade de comprovação do elemento volitivo: A importância do consentimento do motorista em causar resultados danosos para a aplicação do dolo eventual, evitando a simples suposição com base em embriaguez e velocidade.
  • Posicionamento do Ministério Público: Referência a um caso emblemático em que se destaca que o binômio embriaguez e velocidade excessiva não é sinônimo de dolo eventual.
  • Implicações legais do Código de Trânsito Brasileiro: Interpretação do artigo 291 do CTB que esclarece que embriaguez e velocidade não transformam automaticamente a conduta em dolosa, mantendo-se a possibilidade de responsabilização culposa.
  • Crítica ao mau uso do dolo eventual: Debate sobre a tendência de imputar responsabilidade penal baseada apenas em embriaguez e excesso de velocidade, ressaltando que a culpabilidade deve ser avaliada com cuidado.
  • Proposta de interpretação hermenêutica: Sugestão de que disposições do CTB podem servir como base interpretativa tanto para delitos de lesão corporal quanto para homicídios no trânsito.
Leia o artigo completo no MigalhasTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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André CallegariAdvogado Criminalista, professor titular do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP/Brasília), doutor em direito pela Universidad Autónoma de Madrid e com estudos pós-doutorais na mesma Universidade. É, ainda, doutor honoris causa pela Universidade Autónoma de Tlaxcala, México, e doutor honoris causa pelo Centro Universitário del Valle de Teotihuacan, também no México. Autor de diversos artigos e livros na área do Direito Penal.

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