Entre segurança e exceção: da Lei Antifacção a partir do garantismo penal
O artigo aborda a relação entre a recente Lei nº 15.358/2026, voltada ao combate ao crime organizado, e os princípios do garantismo penal. Os autores discutem a necessidade de respostas eficazes ao fenômeno da criminalidade organizada, sinalizando que a ampliação do poder punitivo deve preservar as garantias constitucionais ao invés de adotar lógicas de exceção, ressaltando a importância de um sistema penal que minimize a violência sem comprometer direitos fundamentais. Além disso, alertam pa...

O artigo aborda a tensão entre segurança pública e garantias processuais no contexto da Lei Antifacção, enfatizando a importância do garantismo penal frente ao avanço da criminalidade organizada.
Os autores, Ana Cláudia Pinho e Marcus Vinicius Miranda, discutem as pressões sociais e legislativas por respostas mais severas do Direito Penal, refletindo sobre a Lei nº 15.358/2026 que amplia mecanismos de repressão a organizações criminosas. Destacam que, mesmo diante da gravidade do fenômeno, não se pode relativizar limites constitucionais, enfatizando a necessidade de um sistema penal que minimize a violência sem sacrificar as garantias fundamentais, como a presunção de inocência e o contraditório.
O artigo critica a falsa dicotomia entre segurança pública e direitos humanos e examina as implicações da flexibilização das garantias processuais na política criminal, abordando questões como a antecipação da intervenção penal e a severidade da prisão preventiva. Por fim, é reafirmada a premissa de que a resposta estatal deve ser mantida dentro dos limites do Estado democrático de direito, alertando para o risco de modelos de direito penal de exceção que comprometam a democracia.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Entre segurança e exceção: da Lei Antifacção a partir do garantismo penal" por Ana Cláudia Pinho e Marcus Vinicius Miranda.
- Pressão por respostas legislativas: O aumento da criminalidade organizada está gerando demandas por leis mais severas no Brasil, exemplificado pela Lei nº 15.358/2026.
- Direitos fundamentais versus segurança pública: Discussão sobre a falsa dicotomia entre garantias penais e proteção à sociedade, desmistificando a ideia de que garantismo implica impunidade.
- Garantismo penal e legitimidade do poder punitivo: A relação entre garantismo penal e a necessidade de limites constitucionais para a intervenção punitiva.
- Impacto da criminalidade organizada: Evolução da criminalidade para estruturas complexas que exigem respostas institucionais adequadas e não a exacerbação da punição.
- Severidade penal e suas consequências: Análise dos riscos associados à ampliação da severidade penal, incluindo prisões preventivas e restrições patrimoniais, que podem comprometer garantias processuais.
- Punição de atos preparatórios: Críticas à antecipação da intervenção penal que visa punir atos que ainda não causaram danos concretos à sociedade.
- Consequências sociais da legislação: Reflexão sobre como a supressão de direitos, como o auxílio-reclusão, afeta terceiros e pode agravar a vulnerabilidade social.
- Limites do Direito Penal: A abordagem garantista enfatiza que a legitimidade da resposta penal depende da observância de limites normativos que protejam os direitos humanos e a Constituição.
- Combate eficaz à criminalidade: A discussão sobre a eficiência do Direito Penal como uma das ferramentas no combate à criminalidade organizada e a necessidade de alternativas que não comprometam direitos fundamentais.
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