Ainda sobre a ode ao ódio – por fernanda mambrini rudolfo
O artigo aborda a crítica ao manifesto que se opõe ao garantismo, ao desencarceramento e à impunidade, questionando o conceito de "pessoas de bem" e a eficácia das políticas de encarceramento. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, analisa como o manifesto desconsidera vozes de especialistas e promove sensacionalismo, culminando com a afirmação de que a ignorância é um problema mais sério do que as questões alarmadas apresentadas. Essa reflexão provoca um debate sobre os direitos humanos e a de...

O artigo aborda a crítica ao manifesto que se opõe ao garantismo, ao desencarceramento e à impunidade, questionando o conceito de "pessoas de bem" e a eficácia das políticas de encarceramento. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, analisa como o manifesto desconsidera vozes de especialistas e promove sensacionalismo, culminando com a afirmação de que a ignorância é um problema mais sério do que as questões alarmadas apresentadas. Essa reflexão provoca um debate sobre os direitos humanos e a defesa de uma justiça mais equitativa.
Como se não bastasse a promoção de um evento rechaçando o que se denominou “bandidolatria” (sobre o que já se falou aqui[1]), na última quinta-feira foi lançado um manifesto contra o garantismo, o desencarceramento e a impunidade, intitulado “Você tem sido enganado!”[2].
O texto começa falando das “pessoas de bem”, sem conceituar quem seriam esses indivíduos. Pessoas de bem são os brancos de classe média ou alta? Pessoas de bem são aquelas que vestem camisetas da CBF e se manifestam contra a “corrupção”, mas não batem panela quando não se autoriza sequer a investigação do atual Presidente ilegítimo? Pessoa de bem é o filho da desembargadora, mas não Rafael Braga? Pessoas de bem são aqueles que subscrevem o manifesto, mas não os que lutam por direitos humanos para todos, indistintamente?
O manifesto pretende revelar uma grande verdade, a pretexto de resguardar a segurança pública, o direito de ir e vir, a vida dessas tais “pessoas de bem” e as vítimas. Desdenha, assim, entidades, professores e especialistas, usando inclusive aspas nesta última expressão, aparentemente questionando o conhecimento dos referidos (embora não expressamente mencionados) especialistas.
Fala-se em impunidade (quando se tem a terceira maior população carcerária do mundo), de perigo do desencarceramento (porque o encarceramento tem funcionado muito bem, obrigada), de inadequação da audiência de custódia (que se trata de uma determinação convencional e, assim como os outros argumentos, justificaria muitas outras linhas de resposta, mas não é esse o objetivo deste breve texto), de processo penal democrático – o qual afirmam dever chamar-se processo penal democida (porque sair da zona de conforto da ausência de paridade de armas é muito difícil), do garantismo (evidentemente sem sequer conhecer a teoria ferrajoliana), dentre outras afirmações sensacionalistas.
Termina-se o manifesto com o seguinte excerto: “Bandidolatria mata. Desencarceramento mata. Impunidade mata.”
Pois bem. Para seguir o mesmo raciocínio, termino esse texto com uma afirmação semelhante: Ignorância[3] mata muito mais.
Notas e Referências:
[1] http://emporiododireito.com.br/bandidolatria-e-outras-razoes-para-desejar-ser-abduzido-por-fernanda-mambrini-rudolfo/
[2] http://justificando.cartacapital.com.br/2017/08/03/promotores-de-justica-lancam-manifesto-contra-garantismo-e-bandidolatria/
[3] Termo utilizado na acepção de ausência de conhecimento, não em sentido pejorativo.
Imagem Ilustrativa do Post: Unlocked Decay // Foto de: darkday // Sem alterações
Disponível em: https://www.flickr.com/photos/drainrat/15670788122
Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode
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