Manicômios judiciários: hospitais ou cadeias? Ambos!
O artigo aborda a crítica aos manicômios judiciários, comparando-os a prisões que exercem uma dupla violência institucional sobre indivíduos com doenças mentais. Explora a história dessas instituições no Brasil e no mundo, evidenciando como a internação compulsória e a arquitetura desses locais perpetuam o controle e a exclusão, causando danos profundos à subjetividade dos pacientes. Além disso, discute a relação entre psiquiatria e direito penal, questionando a legitimidade das práticas que ...

O artigo aborda os manicômios judiciários, discutindo como essas instituições representam uma fusão de cárcere e hospital, resultando em uma dupla violência institucional.
Inicia-se com a história das internações para “delinquentes alienados”, citando o primeiro estabelecimento no Brasil em 1903 e o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro em 1921. O texto analisa a relação entre o direito penal e a psiquiatria, destacando a periculosidade e a internação compulsória como elementos fundamentais para a manutenção dessas instituições. Além disso, é abordado o conceito de manicômio como uma “instituição total”, seguindo a linha de Erving Goffman, e os impactos psicológicos da institucionalização nos pacientes, incluindo a “mortificação do eu”. O artigo também menciona experiências traumáticas em hospícios como o “Colônia” em Barbacena e a crítica de que esses locais funcionam como campos de violência, segregação e controle social, conforme argumentam autores como Franco Basaglia e Virgílio de Mattos.
A arquitetura manicomial é analisada por sua semelhança com o modelo panóptico, contribuindo para o controle dos internos. Por fim, o autor alerta que, apesar das mudanças de nomenclatura ao longo do tempo, a ideologia de exclusão e a prática de coisificação dos indivíduos permanecem, reforçando o caráter autoritário do sistema penal.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Manicômios judiciários: hospitais ou cadeias? Ambos!" de Leonardo Marcondes Machado.
- Definição de Manicômios Judiciários: Análise das instituições que combinam características de hospitais e prisões, resultando em uma dupla violência institucional.
- Histórico das Instituições Psiquiátricas: A evolução dos manicômios judiciários, com foco na prisão de Broadmoor na Inglaterra e no Hospital Nacional de Alienados no Brasil.
- Internação Compulsória: Questão da periculosidade do enfermo mental e a relação entre o direito penal e a psiquiatria.
- Impactos na Subjetividade: Investigações sobre os danos psicológicos causados pela institucionalização, incluindo o processo de "mortificação do eu".
- Relatos de Sobreviventes: Exposições de experiências traumáticas de indivíduos que foram internados, como o caso de Antônio Gomes da Silva, "Cabo".
- Violência Institucional: Discussão sobre a violência e a segregação presentes nos manicômios, segundo autores como Franco Basaglia e Virgílio de Mattos.
- Arquitetura e Controle: Reflexão sobre como a estrutura física das instituições psiquiátricas serve para intensificar o controle sobre os internos.
- Desigualdade de Poder: Análise de como o poder médico se estabelece sobre os pacientes, discutindo a ideia de um campo de dominação em relação ao tratamento psiquiátrico.
- Classificação das Instituições: Crítica à mudança de nomenclatura das instituições psiquiátricas, discutindo se realmente houve mudança na ideologia e prática excludente.
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