Julgador capaz de caminhar pela internet será bem-vindo
O artigo aborda a perspectiva crítica de Paulo Ferrareze Filho sobre a jurisprudência, examinando a tensão entre a multiplicidade da decisão judicial e a inércia de julgadores limitados por preconceitos e referências tradicionais. Ferrareze cita Deleuze e Warat para discutir a importância da empatia, destacando que a verdadeira capacidade de julgar vai além da qualificação formal, exigindo um deslocamento ético e a construção de narrativas ricas. O texto enfatiza a necessidade de uma abordage...

O artigo aborda a reflexão sobre a jurisprudência a partir da perspectiva de filósofos como Deleuze e Warat, discutindo o papel do julgador na construção de decisões judiciais e a complexidade inerente a esse processo.
Inicialmente, explora a crítica de Warat à visão de Deleuze sobre a jurisprudência como um espaço de materialização da diferença, destacando que o julgamento muitas vezes se prende a referências e significados pré-estabelecidos, resultando em uma hermenêutica do conforto que limita a pluralidade. Através da análise da capacidade empática e da necessidade de um julgador que não apenas formalmente apto, mas substancialmente consciente, o artigo enfatiza a importância do deslocamento e da observação crítica no entendimento dos casos. Além disso, discorre sobre a substituição de genealogias por geologias na observação ética, que implica uma interação mais profunda com o outro, reforçando a ideia de que o julgamento deve ser horizontal e não vertical.
A citação de Warat sobre a constituição do sujeito a partir do outro e a referência ao julgador como um "caminhante" indica que a verdadeira compreensão e mudança vêm do movimento e da troca de perspectivas, culminando na necessidade de uma crítica efetiva que seja capaz de transformar realidades, em vez de meramente resolver processos.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Julgador capaz de caminhar pela internet será bem-vindo", escrito por Paulo Ferrareze Filho.
- Jurisprudência como Pulsão: Reflexão sobre a jurisprudência como uma força vital que dá significado e complexidade ao sistema jurídico, com críticas à visão de Deleuze.
- A Crítica de Warat: Discurso de que a ideia de multiplicidade na jurisprudência ignora a realidade dos julgadores que operam sob hermenêutica do conforto e imobilismo.
- Empatia no Julgamento: A distinção entre a capacidade formal e a necessidade de uma real empatia para um julgamento adequado, destacando a importância da observação crítica.
- Complexidade e Narrativa: A necessidade de uma observação profunda que vai além da formalidade, enfatizando a complexidade e a relação dos casos na prática judicial.
- Caminhar como Metáfora do Julgador: A ideia de que a capacidade de se deslocar fisicamente, assim como pela internet, permite uma nova perspectiva na análise dos casos, em paralelo ao Pretor Peregrino romano.
- Caminho do Judiciário: A crítica à abordagem vertical dos julgamentos e a proposta de uma visão horizontal que busca resolver conflitos em vez de apenas processos, destacando a importância do diálogo e da relação com o outro.
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