Gina Muniz: Habeas Corpus: de garantia a instrumento punitivista
O artigo aborda a crítica à decisão de um juiz que, ao considerar uma prisão em flagrante ilegal, determinou a prisão preventiva do acusado em um pedido de Habeas Corpus. A autora destaca a subversão do Habeas Corpus, um remédio constitucional essencial para a proteção da liberdade, transformando-o em um instrumento da justiça penal punitivista. O texto enfatiza a importância do respeito às garantias individuais e o perigo de decisões que comprometem a imparcialidade judicial e o modelo acusa...

O artigo aborda a crítica a uma decisão judicial no contexto da aplicação do Habeas Corpus, destacando a transformação desse instrumento em um mecanismo punitivo.
Inicialmente, discute-se a recente decisão de um juiz que, ao reconhecer a ilegalidade de uma prisão em flagrante, optou por converter essa prisão em preventiva, o que fere os princípios do devido processo e da correlação. O texto também analisa a resistência ao Habeas Corpus coletivo e a adoção de medidas que limitam sua eficácia, indicando uma tendência de subversão do remédio constitucional. Além disso, explora a questão da parcialidade do juiz ao decretar prisões de ofício, desconsiderando o princípio da imparcialidade e afetando suas decisões subsequentes.
A discussão inclui a falta de uma concretização normativa na fundamentação da prisão, ressaltando que a aplicação do direito penal frequentemente se dá na contramão da proteção da liberdade individual. O artigo finaliza enfatizando a importância de preservar o Habeas Corpus como um direito fundamental, alertando para os riscos de se aceitar restrições a esse e outros direitos em nome da segurança pública, e conclui com uma crítica à transformação do conceito de justiça em um discurso punitivista.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Habeas Corpus: de garantia constitucional a instrumento da sanha punitivista", escrito por Gina Ribeiro Gonçalves Muniz.
- Decisão de Conversão de Prisão: Crítica à conversão de prisão em flagrante em prisão preventiva por um juiz, considerando-a uma decisão teratológica e fora dos limites do pedido.
- Subversão do Habeas Corpus: Análise da tentativa de desqualificação do Habeas Corpus no Brasil, incluindo resistência ao Habeas Corpus coletivo e a suspensão da liminar.
- Princípio da Correlação: Discussão sobre a violação do princípio da correlação quando um juiz decreta a prisão de ofício, em total afronta ao devido processo legal.
- Modelo Acusatório: Menciona a escolha constitucional pelo modelo acusatório e a proibição da decretação de ofício das prisões preventivas conforme a Lei nº 13.964/19.
- Imparcialidade do Julgador: A preocupação com a imparcialidade do juiz quando ele decreta uma prisão preventiva sem uma solicitação das partes, o que pode macular a justiça do julgamento.
- Ordem Pública: Questionamento acerca da aplicação do conceito vago e genérico de “ordem pública” como fundamento para prisões, sem a devida fundamentação jurídica.
- Poder Punitivo Estatal: Reflexão sobre o papel do processo penal: deve conter o poder punitivo do Estado, e não expandi-lo, em contextos de crise e insegurança pública.
- Direitos e Garantias Fundamentais: A defesa das garantias constitucionais e a crítica à ideia de que esses direitos podem ser restringidos em nome da segurança pública e combate à impunidade.
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