Abboud: O empate favorece o réu: uma questão além do bem e do mal
O artigo aborda a controversa questão do empate em julgamentos, especialmente no contexto do Supremo Tribunal Federal, destacando como ele influencia decisões sobre réus em processos penais. O autor, Georges Abboud, analisa a interpretação de normativas e jurisprudências, argumentando que a tendência deve ser em favor do réu, reafirmando princípios do devido processo, como o "in dubio pro reo". Além disso, o texto explora a relação entre Direito, moral e política, enfatizando a importância da...

O artigo aborda diversas temáticas relacionadas ao sistema de Justiça e aos direitos dos réus, principalmente em contextos de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Inicialmente, discute a reemergência de questões já tratadas pela história do Direito, como a nulidade nas dosimetrias de pena em julgamentos específicos, destacando a incongruência entre absolvição e imposição de penas. Também é mencionado o debate sobre como o empate nas votações deve resultar em favor do réu e a exclusão da aplicação de analogias que beneficiem o acusado em contextos distintos, como o Habeas Corpus. O texto ainda explora a crítica ao entendimento de que, na dúvida, se deve decidir a favor da sociedade, propondo uma reflexão sobre a presunção de inocência e a importância do Direito em relação ao Estado.
Outras questões centrais incluem a relação entre Direito e moral, com referências à filosofia de Nietzsche e Agamben sobre a natureza do processo e do julgamento, e os riscos de a política influenciar a Justiça, questionando a legitimidade dessa interferência. O artigo conclui reafirmando o princípio "in dubio pro reo" como elemento essencial do devido processo penal, ressaltando a liberdade do indivíduo frente ao poder do Estado.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "O empate favorece o réu: uma questão além do bem e do mal", de Georges Abboud.
- Questões reemergentes no Supremo Tribunal Federal: Discussão sobre a frequente aparição de questões jurídicas que, apesar de já terem sido debatidas, merecem novo confronto no STF.
- Nulidade no julgamento das APs 973 e 974: Alegações de nulidade mencionadas pela defesa dos réus, sobre a ausência de participação dos ministros na dosimetria das penas.
- Entendimento do ministro presidente: A análise da preclusão e a incongruência de votos que absolvem e impõem penas ao réu.
- Empate e absolvição: Debate se o empate deve ou não beneficiar o réu, e a decisão de que a falta de maioria não resulta automaticamente em absolvição.
- Argumentação de Lenio Streck: Posicionamento do jurista sobre a falta de suporte constitucional para a ‘tese’ do in dubio pro societate e a defesa dos direitos do réu.
- Relação entre Direito e moral: Reflexões sobre como a moralidade e a filosofia influenciam a interpretação do Direito e a aplicação de justiça.
- A política e o Direito: A crítica à intervenção da política no âmbito jurídico e a legitimidade dos processos judiciais conduzidos sob influência política.
- Liberdade e Estado constitucional: A premissa de que a liberdade é um princípio fundamental no Estado de direito, com a punição precisando ser justificada.
- Crítica ao abandono de conquistas civilizatórias: A importância do princípio in dubio pro reo e a relação entre o poder punitivo do Estado e os direitos individuais.
- Retorno à moralidade e ao Direito: A tensão entre aspectos morais, políticos e jurídicos na aplicação do Direito e a busca por uma interpretação equilibrada.
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