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O artigo aborda a trajetória de uma mulher brasileira que reflete sobre a injustiça social e racial a partir de sua experiência pessoal, marcada pela pobreza e pela violência do sistema penal. A narrativa revela como sua vida foi moldada por fatores como raça e gênero, culminando em sua prisão por tráfico de drogas, evidenciando a falta de recursos e apoio jurídico. Com uma linguagem intensa e crítica, o texto denuncia as desigualdades e a desumanização enfrentadas por mulheres e jovens nas p...

Rômulo Moreira
06 out. 2019 8 acessos
Maria

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O artigo aborda a trajetória de uma mulher brasileira que reflete sobre a injustiça social e racial a partir de sua experiência pessoal, marcada pela pobreza e pela violência do sistema penal. A narrativa revela como sua vida foi moldada por fatores como raça e gênero, culminando em sua prisão por tráfico de drogas, evidenciando a falta de recursos e apoio jurídico. Com uma linguagem intensa e crítica, o texto denuncia as desigualdades e a desumanização enfrentadas por mulheres e jovens nas periferias do Brasil.

Publicado no Empório do Direito

Coluna Direito e Arte / Coordenadora Taysa Matos

Quando nasci veio um anjo sacana,

Aquele mesmo de Drummond,

só que mais torto. E disse: vai ser homem na vida!

Só que ele me botou negro, e eu disse: vai dar merda!

Então, ele me botou brasileiro, e eu reclamei: piorou!

Não satisfeito, fez-me pobre, e eu bradei: puta que pariu!

Enfim, e de pura sacanagem mesmo, ele, de repente, mudou de idéia:

E eu nasci mulher: agora fodeu!, disse num brado.

Não deu outra: hoje, estou presa como traficante de drogas.

O Poder flagrou-me fumando um baseado aqui na minha calçada pobre, unzinho só.

Levou-me presa e fui condenada por tráfico de drogas.

Agora, cumpro uma pena estúpida de prisão, e a culpa foi da calçada!

Não teve recurso, aqui tem pouco Defensor Público,

O Poder não dá importância para esse pessoal que defende gente.

Prefere o pessoal que acusa gente:

Rende mais, apesar de sair mais caro para ele.

Anjo torto? Não!, anjo sacana aquele mesmo.

Se tivesse parido um homem, branco e de classe média,

Agora estava eu mesma era fumando outro bom baseado,

E não escrevendo esta bosta aqui.

Aqui, nesta cela imunda e inumana,

Junto com outras muitas filhas da puta iguais a mim:

Negras, jovens, pobres e mulheres,

E no Brasil!

Imagem Ilustrativa do Post: Olhando o futuro através do espelho. // Foto de: PAULO LINS // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/paulohlins/2282973740/

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Sobre os experts

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Rômulo MoreiraProcurador de Justiça do Ministério Público da Bahia. Professor de Processo Penal da Universidade Salvador - UNIFACS. Pós-graduado em Processo Penal pela Universidade de Salamanca.

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