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Artigos Conjur – Por que muita gente não passa nos concursos e provas da OAB?

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Por que muita gente não passa nos concursos e provas da OAB?

O artigo aborda as complexidades e os desafios que enfrentam os candidatos em concursos e na OAB, ressaltando que o sucesso não se resume apenas à quantidade de estudo, mas também a fatores imponderáveis e pessoais. Discute a ilusão de que seguir métodos consagrados garante aprovação e destaca a importância da singularidade de cada candidato, além de alertar sobre promessas de sucesso em cursinhos. Por fim, enfatiza que, embora o estudo adequado possa aumentar as chances de sucesso, o fator s...

Alexandre Morais da Rosa
27 ago. 2016 10 acessos
Por que muita gente não passa nos concursos e provas da OAB?

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O artigo aborda as complexidades e os desafios que enfrentam os candidatos em concursos e na OAB, ressaltando que o sucesso não se resume apenas à quantidade de estudo, mas também a fatores imponderáveis e pessoais. Discute a ilusão de que seguir métodos consagrados garante aprovação e destaca a importância da singularidade de cada candidato, além de alertar sobre promessas de sucesso em cursinhos. Por fim, enfatiza que, embora o estudo adequado possa aumentar as chances de sucesso, o fator sorte desempenha um papel crucial nos resultados.

Publicado no Conjur

Podemos dizer que, com a quantidade de material para ser estudado e as contingências de um concurso público, é impossível apontar os critérios para sucesso de um candidato. Além de estudar, porque não se trata de milagre, surgem fatores imponderáveis, na lógica do efeito borboleta, ou seja, pequenos detalhes que mudam uma vida. Não é porque o sujeito que foi aprovado estudou 10 horas por dia usando a apostila tal que, necessariamente, o candidato-espelho obterá o mesmo êxito. Existem diferenças pessoais, de ordem cognitiva e subjetiva, exigindo uma singularidade na preparação, até porque o fator sorte torna os certames imprevisíveis. O sujeito estuda praticamente todo o Código Civil, e justamente a parte faltante cai na prova, ou o contrário: estudou somente a parte que foi objeto da prova.

No fundo, os fatores de sucesso são muito mais acasos do que metodologia, embora se venda justamente o contrário. Basta perceber que, se a mesma apostila foi fornecida a vários candidatos, os quais, por sua vez, estudaram 10 horas por dia, juntos, tal fato não é condição necessária, nem suficiente, para aprovação. Ficou apavorado? Não sabe o que fazer? Inexiste solução fácil. Porém, não se pode superestimar entusiasmadamente as probabilidades de sucesso baseadas em cases vencedores. Podemos aprender com eles, mas o fundamental é procurar a singularidade, os limites e possibilidades sinceras de cada um. Basta perceber as promessas de dietas que já fizemos. Mas a ilusão de que seguindo os passos obteremos o sucesso é o que move os cursinhos que matriculam cada vez mais gente, porque se tornam pais cognitivos dos aprovados eventualmente. Logo, estudar no cursinho A ou Z não nos torna, definitivamente, mais inteligentes.

As possibilidades cognitivas decorrem da formação do cérebro, e podemos, com treino e boa alimentação, quem sabe exercícios físicos, melhorar a capacidade de memorização. Temos, para tanto, diversas explicações teóricas para memória de curta e larga duração. Mas uma coisa é pressuposta: alguns nascem com uma capacidade melhor do que outros, e também a infância e a adolescência influenciam de maneira significativa na nossa capacidade de compreensão, especialmente pelo investimento narcísico que os pais fizeram.

Enfim, cuidado com a milagrosas receitas de sucesso vendidas, pois, no fundo, diante da quantidade de matriculados nos cursinhos e o percentual de aprovados, podemos estar sendo enganados pela foto do pódio que apresenta somente os melhores colocados. Algo, porém, é certo: estudar corretamente aumenta a incidência da sorte.

P.S. Na coluna anterior, havia prometido dar dicas de livros para formação básica. Fiquei com vontade de escrever esta coluna em face do desânimo de alguns parceiros. Retomo a temática da indicação dos livros em três semanas, quando volto a escrever aqui. Abraços.

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Alexandre Morais da RosaPós-doutorando em Universidade de Brasilia (UnB). Doutor em Direito (UFPR), com estágio de pós-doutoramento em Direito (Faculdade de Direito de Coimbra e UNISINOS). Mestre em Direito (UFSC). Professor do Programa de Graduação, Mestrado e Doutorado da UNIVALI. Juiz de Direito do TJSC. Membro Honorário da Associação Ibero Americana de Direito e Inteligência Artificial/AID-IA. Pesquisa Novas Tecnologias, Big Data, Jurimetria, Decisão, Automação e Inteligência Artificial aplicadas ao Direito Judiciário, com perspectiva transdisciplinar. Coordena o Grupo de Pesquisa SpinLawLab (CNPq UNIVALI)

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