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As dores e loucuras de defensorar – por fernanda mambrini rudolfo

O artigo aborda as experiências desafiadoras e as vitórias mínimas enfrentadas pelos defensores públicos, destacando a importância da luta por justiça e igualdade em um contexto de marginalização. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, traz reflexões sobre como a defesa incondicional dos direitos de todos é frequentemente vista como uma "loucura", relacionando essa postura à história de figuras marginalizadas e desafiadoras. Ao final, ela reafirma a busca por um mundo mais justo e a força que s...

Fernanda Mambrini Rudolfo
25 set. 2016 7 acessos
As dores e loucuras de defensorar – por fernanda mambrini rudolfo

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O artigo aborda as experiências desafiadoras e as vitórias mínimas enfrentadas pelos defensores públicos, destacando a importância da luta por justiça e igualdade em um contexto de marginalização. A autora, Fernanda Mambrini Rudolfo, traz reflexões sobre como a defesa incondicional dos direitos de todos é frequentemente vista como uma "loucura", relacionando essa postura à história de figuras marginalizadas e desafiadoras. Ao final, ela reafirma a busca por um mundo mais justo e a força que surge das adversidades.

Publicado no Empório do Direito

Muitas vezes me perguntam o que faz um Defensor Público, como é defensorar. Pois bem, são tantas dores, tantas mágoas, tantas derrotas, ao lado de tão poucas e marginas vitórias. Mas o que haveria de ser lamentado se transforma em força, ante a firma crença em que o justo, o certo sempre é, ao menos inicialmente, tratado como um ato de loucura.

Galileu era um criminoso/criminalizado por dizer que a Terra girava em torno do Sol. Anita Garibaldi ainda é mal falada por ter agido em afronta ao machismo que prevalecia à época (não só à época, frise-se). Einstein até hoje é lembrado como diferente/anormal “apenas” por ter sido brilhantemente capaz de enxergar tanto do que os outros não viam, não adotando a postura engomada da sua geração.

O liame entre a diferença e o repúdio é mais forte do que se costuma imaginar. Não há nada, nem uma linha, a separar a dita normalidade da anormalidade. Há, sim, a marginalização do desconhecido e do indesejado.

Por isso somos loucos: porque defendemos os direitos de todos, igualmente, sem qualquer marginalização. Isso certamente incomoda. E, porque esse movimento incomoda e porque pode se tornar forte, tenta-se nos tirar a credibilidade, diária e sorrateiramente. Então, vêm as dores.

Mas, como dito, as dores das derrotas e dos preconceitos só nos fazem mais loucos. Insanos por justiça; ensandecidos por igualdade substancial; dementes pela efetivação de direitos. Fugimos dos discursos fáceis. Evitamos quaisquer generalizações, exceto quanto à universalização dos próprios direitos.

Sempre me identifiquei muito com a Balada do Louco, composta por Rita Lee ainda na época dOs Mutantes. Pois somos Alain Delon. Somos Napoleão. Somos Rolling Stones. Podemos voar.

Assistir ao retrocesso que, inevitavelmente, também atingirá aqueles que levantam essas bandeiras retrógradas, só nos faz ainda mais fortes, para voarmos mais alto.

Dizem que somos loucos por sermos assim, por pensarmos assim, por defendermos assim. Mas é assim que são destruídos os dogmas, que são quebrados os paradigmas.

Somos loucos. Sempre seremos. Defensoramos. Mas podemos voar. E voaremos em direção a um mundo muito mais justo.

Imagem Ilustrativa do Post: fly... // Foto de: Chang Jung Lee // Sem alterações

Disponível em: https://www.flickr.com/photos/houdinifx/3864551885

Licença de uso: http://creativecommons.org/licenses/by/2.0/legalcode

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Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Fernanda Mambrini RudolfoDefensora Pública do Estado de Santa Catarina desde 2013, com atuação especialmente junto ao Tribunal do Júri. Bacharela, Mestra e Doutora em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora Científica do Centro de Estudos, Capacitação e Aperfeiçoamento da Defensoria Pública.

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