Guia de uso

Artigos Conjur – Mariz de Oliveira: uma justa homenagem

ARTIGO

Mariz de Oliveira: uma justa homenagem

O artigo aborda a trajetória e a importância de Antonio Claudio Mariz de Oliveira para a advocacia e a defesa do Estado de Direito no Brasil. Destaca sua atuação em cargos de destaque, sua luta política contra o autoritarismo e seu papel como defensor de garantias constitucionais em tempos desafiadores. A homenagem reforça sua influência na advocacia penal e sua capacidade de inspirar resistência diante de violações democráticas.

Pierpaolo Cruz Bottini
04 set. 2023 7 acessos
Mariz de Oliveira: uma justa homenagem

Este conteúdo é exclusivo para assinantes
Faça login se você já é assinante, ou conheça os planos disponíveis.
Fazer loginVer planos

O artigo aborda a trajetória e a importância de Antonio Claudio Mariz de Oliveira para a advocacia e a defesa do Estado de Direito no Brasil. Destaca sua atuação em cargos de destaque, sua luta política contra o autoritarismo e seu papel como defensor de garantias constitucionais em tempos desafiadores. A homenagem reforça sua influência na advocacia penal e sua capacidade de inspirar resistência diante de violações democráticas.

Publicado no Conjur

Mariz de Oliveira, advogado, durante toda a vida reuniu em torno de si jovens e velhos advogados, seja para travar lutas políticas, seja para discutir estratégias jurídicas, ou apenas para comer, beber, e contar histórias.

Oportuníssima a iniciativa.

Homenagear Antonio Claudio Mariz de Oliveira é homenagear o direito de defesa. Desde o causídico mais experiente até o estudante de direito, todos conhecem sua trajetória e importância para a advocacia, em especial para a suada e difícil advocacia penal.

Presidente da OAB, da Caasp, do IBDD (Instituto Brasileiro do Direito de Defesa), secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, ocupou cargos de destaque, advogou em causas importantes, geriu crises, criou políticas públicas e tomou iniciativas importantes.

Para além da experiência profissional, Mariz foi e é um entusiasta da luta política, e sempre participou com intensidade de debates públicos sobre os rumos do país. Quantos de nós não recebemos ligações, nos mais variados horários do dia ou da noite, em que o decano discorreu entusiasmado ou estarrecido sobre fatos do mundo político e sugeriu iniciativas de apoio ou combate a determinadas posturas de governos ou agentes públicos.

Um exemplo: quando o então presidente Jair Bolsonaro acirrou suas investidas contra a democracia, Mariz tomou a frente de um movimento de centenas de advogadas e advogados que gritou “Basta!” e levantou todos os dedos contra os desatinos de um mandatário que já mostrava sua personalidade golpista no primeiro ano de governo.

É bom ter Mariz ao lado e atuante, em especial nesses tempos.

Tempos de desrespeito ao direito de defesa. De vitupérios a advogados, juízes, a todo aquele que defenda a primazia da lei sobre arroubos autoritários. Tempos em que o exercício do contraditório é tido como “obstáculo” à Justiça, de tentativas de supressão de garantias por propostas legislativas perigosas, do surgimento de certos personagens da vida pública — alguns magistrados e procuradores — apresentados pela mídia como salvadores da ética nacional, quando em verdade apenas procuram holofotes que sustentem suas pretensões político eleitorais.

Tempos em que o texto constitucional ou legal é sistematicamente ignorado, sob o argumento de racionalizar o processo, como se a racionalidade não englobasse o respeito à ordem jurídica vigente. Em que a letra da lei acaba por ser solenemente ignorada por decisões que perigosamente flertam com o arbítrio. De projetos de lei sobre aumento de pena, endurecimento do sistema de execução, nos quais a conversão de crimes comuns em hediondos se apresenta como a grande solução para a criminalidade do país, quando os verdadeiros problemas são varridos para baixo do tapete, dado o alto custo econômico e popular de seu enfrentamento.

Mas, se há algo positivo em tempos difíceis, é sua capacidade de revelar o extraordinário de algumas pessoas. E Mariz representa esse extraordinário, a antítese ao lugar comum, ao discurso fácil, uma corrente contra a perigosa maré do autoritarismo. Alguém que leva a legalidade às últimas consequências, que denuncia o fácil pragmatismo daqueles que pretendem afastar as garantias constitucionais em nome de um etéreo combate a tal ou qual crime.

Impossível não pensar no homenageado ao ler a poesia de Manuel Alegre:

Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça, há sempre alguém que semeia, canções no vento que passa. Mesmo na noite mais triste em tempo de servidão há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não

É nesse não coletivo que se sobressai a voz de Mariz.

Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

Avatar de Pierpaolo Cruz Bottini
Pierpaolo Cruz BottiniAdvogado e professor de direito penal da USP.

Explore

Indicações relacionadas a este conteúdo

Precisa de ajuda?
Fale com nossa equipe pelo WhatsApp para dúvidas sobre este conteúdo.

Não perca este conteúdo

Assine a Criminal Player e tenha acesso imediato a esta aula, mais de 4.900 conteúdos, ferramentas de IA e a maior comunidade de advocacia criminal do Brasil.

Ver planos